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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Mais um ano que passou...

Posso dizer que 2009 foi o ano mais lindo da minha vida (até agora). Neste ano ganhei o melhor presente que alguém poderia ganhar. Ana Clara clareou minha vida, iluminou meu caminho e me mostrou que a vida pode ser muito linda. E nesse ano que passou, aprendi muitas coisas...
Ser mãe é muito difícil, mas muito delicioso
O Rapha é o melhor pai do mundo
Nascimento e parto são duas coisas distintas
Sou muito mais forte física e emocionalmente do que imaginava ser
Conceitos e prioridades de muitas coisas mudaram
Ser mãe não é tudo aquilo que a gente lê nos livros, artigos de revistas... é muito mais
Paciência e carinho são os segredos de toda boa mãe
Trocar fralda, dar banho e cuidar de cólicas de bebê são mais fáceis do que imaginei
Amamentar é uma das coisas mais maravilhosas do mundo
Não ter uma noite inteira de sono pode ser extremamente cansativo e estressante, mas é facilmente recompensada por um sorriso banguela às 6h da manhã
Conhecer e conversar com outras mães é fundamental
Mãe sabe muito mais do seu próprio filho do que o pediatra
Encontrar um bom pediatra não é fácil
Ler e informar-se sobre gestação, parto, trabalho de parto e muitos outros assuntos relacionados faz a maior diferença
Saber que o Brasil é recordista em cesáreas é uma coisa revoltante
Cesárea eletiva é a maior besteira do mundo
Parto humanizado, doula, sling fazem parte do meu novo vocabulário de mãe
Colo não estraga ninguém
O sling wrap salvou a minha vida social (e as minhas costas também)
Assistir a vídeos de partos naturais é muito bom
O enxoval do bebê pode ser reduzido em x% (x=muito) quando conversamos com mães espertas e experientes
Orkut é muito mais do que bisbilhotar fotos e encher a lista de comunidades bestas, existem pessoas muito queridas e comunidades fantásticas neste site de relacionamentos
Ter um blog é fazer terapia
Ser mãe é fazer escolhas e que MUITAS vezes exigem uma "cara de paisagem"
O significado das palavras 'mãe' e 'família' são outros agora
Agora posso dizer que sei o que é 'amor incondicional'

Quando descobri que estava grávida, minha cunhada me escreveu um texto muito lindo... e entre palavras tão lindas ela escreveu:

"Você acha que amou alguém nessa vida a ponto de se dar inteiramente???? Hummm... Não amava, até ontem! Se você pensa que alguém já te fez sofrer por "amor"... HAHAHHAHAHHAHHA... A primeira lágrima de amor verdadeiro, Isa Linda, você vai derramar quando ouvir o primeiro choro de cólicas que nem a mão mágica da mamãe vai conseguir curar. Você vai mentalizar que, naquele momento, a dor deveria ser em você. É... A maternidade é louca mesmo. A gente pede para sofrer no lugar de uma pessoa que você conhece há pouco tempo, mas que daria a vida por ela!"

Obrigada Ana Clara, por me ensinar a cada dia a arte de ser mãe. Te amo filha.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Relato.

Segunda-feira, dia 06 de abril de 2009... Meio-dia eu e o Rapha fomos na consulta com a Dra. Rose (ué? mas o ginecologista obstétra não era o Dr. Flávio? Sim... mas eu não estava muito satisfeita nem muito segura com ele e resolvi falar com outro médico... Que fosse adepto do parto natural e humanizado... Porém a Dra. Rose não atende por convênio médico, então só fui lá ter uma consulta de rotina). Ela analisou todos meus exames e ecografias que eu havia feito durante a gravidez. Depois ela me examinou (coisa que o Dr. Flávio não fazia) e disse que eu já estava com 4 de dilatação e que minha bolsa estava pra estourar a qualquer momento. “Meu Deus! Eu já estava em trabalho de parto e não sabia!” Eu estava tendo contrações, mas não sentia nenhuma dor. Nem mesmo incômodo. Fiquei assustada: estava chegando a hora... “Será que já estou pronta? Será que vai dar tudo certo? Como será meu parto?” Enfim, passaram inúmeras questões na minha cabeça naquele momento, questões que só teriam resposta depois que Ana Clara nacesse. Então a Dra. Rose me acalmou e me aconselhou que eu fosse pro hospital fazer uma consulta com o plantonista e pedisse pra ele me fazer o toque.
Fomos pra casa da minha mãe almoçar. Quando contei, ela ficou uma “pilha”! Almoçamos (Rapha, eu, minha mãe e logo depois meu irmão, o Daniel). Fomos, Rapha e eu, pra casa (“sede” da Treze de Maio). Terminei de arrumar minha mala e a da Ana Clara. Esperei a minha mãe e fui pro hospital. O Rapha foi dar aula.
Chegando na Maternidade Milton Muricy, esperei a consulta durante meia hora. Fui atendida às 17h35. A plantonista fez o toque: dilatação de 5 pra 6. Ela disse que eu teria que ser internada naquele momento. Mostrei meu plano de parto pra ela. Foi quando meu mundo começou a desabar. “O hospital não tem estrutura para receber uma doula no pré-parto durante o TP, mas nós vamos estar lá, você não vai ficar sozinha.”. E eu lá queria um “bando de gente” que eu nunca vi na vida pra me acompanhar num dos momentos mais importantes da minha vida??
Depois de chorar muito e deixar minha mãe mais nervosa ainda, burlamos um pouco as regras, pagamos por um quarto individual (pois meu convênio médico só cobre quarto coletivo) e a Cecília (minha doula), minha mãe e o Rapha puderam me acompanhar. Porém... chegando no quarto, o Dr. Flávio fez o toque (19h40)e a bolsa estorou. Dilatação: de 6 pra 7. Ele pediu uma maca pra me levarem à sala de pré-parto. Com o nervosismo do momento, não tinha mais forças pra brigar e ficar o TP no quarto. Pelo menos o Dr. Flávio permitiu que a Titi me acompanhasse. Na sala tinha uma bola, chuveiro e dois leitos. Tive que trocar a roupa e colocar aquele avental horroroso aberto nas costas. Na sala ficamos só eu e a minha doula querida. Até então minhas contrações eram fracas (e eu não sentia dor alguma) com duração de 30 a 40 segundos e intervalos variados de 3, 5 e 7 minutos. Fiquei na bola “curtindo” minhas contrações e olhando o relógio. 20h20 o Dr. Flávio foi ver a quantas andava minha dilatação e os batimentos cardíacos do bebê. Tudo certo: 7 de dilatação. Comecei a me sentir um pouco fraca. A Titi me deu Gatorade (escondido) e fui tomar um banho. Eram 20h45, “visita” do Flávio mais uma vez. A partir de então, passei a não prestam mais muita atenção no relógio, não contei mais os segundos de contrações nem o intervalo entre elas. Comecei a sentir dor e a Titi sempre massageando as minhas costas (Que alívio!!). Cada vez que o Flávio me analisava ele já me pedia pra fazer força. Às vezes eu fazia, às vezes não (aí ele “brigava” comigo). Eu intercalava entre a bola e abraços fortes na Titi em cada contração. A dor e as contrações passaram a ficar mais intensas. Cheguei a 10 de dilatação e Ana Clara não estava bem encaixada. Comecei a ter que fazer mais força. Às 23h10 fomos, Flávio, Titi e eu para o centro cirúrgico. Logo o Rapha estava lá também. De repente estavam lá mais duas enfermeiras “em cima” da minha barriga empurrando a Ana Clara para ela sair. Eu já não sentia mais dor, mas muito calor. Porém, as contrações estavam fracas e duravam muito pouco tempo. Aceitei a ocitocina. Muito rapidamente senti o efeito e as contrações ficaram fortes e eu conseguia fazer força pra ela sair. O Rapha e a Titi seguravam a minha cabeça e meu pescoço enquanto eu fazia força. Só passando por isso é que passamos a acreditar mais em nós mesmas: não imaginava que eu pudesse ter tanta força quanto eu tive naquele momento. Eu só conseguia imaginar o calor da minha filha em meus braços e meu batimentos cardíacos diminuindo ao sentir aqueles dedos minúsculos tocando meu peito... Como se não bastasse a força física que eu jamais imaginei ter, precisei provar que tinha uma força emocional além do normal... Pois nada do que eu imaginei aconteceu:

Ana Clara nasceu às 23h40.

O Dr. Flávio cortou o cordão. A pediatra Marieli mostrou a Ana Clara em seus braços e saiu correndo para a Unidade de Tratamento Intensivo – UTI.
Não consigo explicar meu sentimento naquele momento. Um vazio imenso, medo, insegurança e mistério. O que havia acontecido com a minha filha?

Ana Clara nasceu com duas voltas de cordão e aspirou mecônio no momento do parto. Foi entubada na mesma hora e teve falta de oxigenação no cérebro por alguns instantes. Dr. Flávio ‘tentou’ explicar o motivo da aspiração meconial (pois não existe explicação pra tal acontecimento), mas não lembro o que ele disse. Só consegui ver a minha filha às 11h da manhã seguinte – terça-feira, dia 07 de abril. Ela ficou uma semana na UTI Neonatal. Entrei em depressão. Durante essa semana a psicóloga do hospital veio conversar comigo. Não gostei muito dela. Ela chegou no meu quarto terça-feira a noite e disse: “Vim aqui conversar, pois você foi a primeira gestante a trazer uma doula para o trabalho de parto. Também sou adepta ao parto humanizado, mas sabe como é, né?! essas coisas são difíceis... Difícil mudar todo um sistema que caminha com o pensamento de que cesárea é mais seguro, não tem dor e tal... Nós temos projetos, palestras aqui no hospital sempre sugerindo esse tipo de parto...”. Vou confessar que não engoli muito aquela história, mas em todo caso, ela foi a pessoa que me ouviu com mais atenção num momento triste em que eu estava sozinha naquele quarto frio da maternidade. Aliás, ela disse uma coisa bem interessante, (que, toda vez que fico irritada com a choredeira da Ana, eu lembro disso): a diferença entre o parto idealizado e o parto real, do bebê ideal e o bebê real. E refletir sobre isso.
Só pude ter minha filha em meus braços na quinta-feira dia 9, e a partir daí comecei amamentá-la no seio, pois até então ela estava no soro e monitorada 24h. Esgotava o leite a cada 3h (para aquelas enfermeiras - sem coração - amamentarem minha filha com o MEU LEITE nas horas que eu não estava), quando não estava tomando banho pra dar uma aliviada, pois eu tinha muito leite e ficava tudo empredado: quase morri de tanta dor. Depois que recebi alta, sexta-feira dia 10, fui pra casa da minha mãe. Nos outros dias, chegava às 9h da manhã na maternidade e só ia embora às 19h30. Foi a semana mais longa da minha vida. Segunda-feira, dia 13 de abril, Ana Clara recebeu alta e saiu no sling coberta de olhares curiosos e cheio de preconceitos.
Ainda não superei esse ocorrido... Penso nisso todos os dias. Graças a Deus, Ana é um bebê lindo e muito saudável. Mas tenho esperança de um dia ainda saber a causa da aspiração de mecônio.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Neuf mois au paradis...


Dia 29 de setembro de 2008, numa tarde linda de sol quando fui fazer a primeira eco... ui ui ui... que nervoso. Passarm duas coisas na minha cabeça antes daquela mulher antipática colocar aquele gel gelado na minha barriga: será que realmente tem um neném aí? será que não é tudo invenção da minha cabeça? ou será que tem dois?? gêmeos??... O Rapha segurava a minha mão suada e meu coração batia a mil por hora. Naquela tela de plasma pendurada na parede do consultório, o bebê parecia enorme, mas com seus apenas 5 cm e 11 semanas de gestação já estava completamente formado - dava pra ver os braços, as pernas e a coluna com nitidez. Saí do laboratório me sentindo... nas nuvens (clichê e romântico - mas era assim mesmo que eu me sentia).
Dias depois falei com a Cecília (a Titi querida linda maravilhosa que veio a ser a minha doula...) e ela me levou num encontro de mães (GestaCuritiba), e foi o que mudou a minha vida!! Não sei o que seria de mim se essas mulheres não tivessem cruzado o meu caminho:
Cecília Veloso - minha doula queridíssima, obrigada por tudo.
Patrícia Bortolotto e Felícitas Kemmsies - sou fã de carteirinha de vocês. Mães lindas, mamíferas especiais que fazem um trabalho maravilhoso reunindo outras mães e esclarecendo suas dúvidas com carinho e muita atenção. Obrigada pelos abraços calorosos em todo encontro do Gesta.
Luciana Lima - Me tornei sua fã quando a vi pela primeira vez no encontro e apresentando o portage. Obrigada pela oportunidade de poder trabalhar num espaço tão lindo que é a AOBÄ.
Me sinto uma mulher privilegiadíssima por ter conhecido essas mulheres-mães tão especiais.

Há um tempo (no ano de 2007), eu tinha consultas com uma analista que, quando "me dei alta", nessa última consulta ela me fez uma pergunta que nunca mais esqueci: "Isabella: quantas coisas você faz única e exclusivamente pra você?". Naquele momento a resposta era: "nada além daquelas consultas semanais". Percebi que eu não tinha um momento diário na minha vida de relaxamento, reflexão e de viver exclusivamente pra mim.
Um belo dia (durante a minha gestação), minha cunhada me entregou um folheto: "Yoga Tibetana". No mesmo dia, liguei pra tal AEF (Associação de Estudos Filosóficos) que promovia aulas verbais e práticas de filosofia e a yoga tibetana, de segunda a sábado, com horários flexíveis (detalhe: por apenas R$30,oo por mês.).Ótimo!! Fui lá no mesmo dia. A yoga mudou minha vida!! Me fez sentir de bem com a vida, ter muuuuito mais calma, atenção, reflexão, em sintonia com minha filha... Enfim, consegui, finalmente, responder a pergunta da minha analista.

A Ana Clara ia crescendo na minha barriga, me fazento me sentir plena durante toda a minha gestação. E foi visível como consegui, sem querer, contagiar, em muitos momentos, várias pessoas que me cercavam.