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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Receita infalível para conquistar seu parto

O título do texto me chamou muito a atenção (como foi a intenção da própria autora do post)... Fui correndo ler a tal 'receita infalível' e adorei. Resolvi postar aqui e dar uma divulgada na idéia. Para saber mais sobre a autora do texto, a enfermeira obstetra humanista Dydy, passa lá no blog dela: A Obstetrícia Humanista.


Receita infalível para conquistar seu parto


A primeira coisa que se deve ter em mente é o porquê deste desejo. O que te leva a escolher o parto normal tradicional ou domiciliar - e observe que são duas escolhas totalmente diferentes -, abrindo mão de uma cesárea limpinha e segura dentro dos critérios de sua sociedade?

Seria muito mais simples fazer uma cesariana...
Veja só: o plano cobre, as pessoas não questionam, a sociedade não te cobra, a família respeita a escolha, o marido ajuda a chegar a esta decisão e o melhor: todo mundo faz. Pois TODAS as cesáreas salvaram a vida de TODAS as suas amigas.
Não é o que elas teimam?

Parece besteira, mas é simples assim. Não é necessário gastar suas horas buscando informações, se desconstruindo, tendo um trabalho danado em encontrar um profissional que banque realmente teu sonho, negociar pagamento para este trabalho diferenciado mesmo já tendo um bom plano... Tudo isso quando você poderia estar curtindo a gravidez como qualquer grávida "normal", providenciando os detalhes do quarto - que também é um sonho -, economizando o dinheiro para as roupas, verificando os últimos detalhes do chá de bebê e deixando esses assuntos técnicos para quem estudou pra isso.

Afinal... "O que você sabe sobre seu corpo?"

A parti de agora Modo Ironia OFF...

Para ter um parto natural ou domiciliar, o primeiro grande cuidado é escolher o profissional que acredite, que faça e que seja seguro de que pode oferecer o parto que você deseja, sem jamais mentir, omitir ou deixar uma questionamento seu de lado.

Ele tem que ser disponível e já ter um histórico de partos naturais confirmáveis no currículo. Sua taxa de cesáreas tem que ser de no máximo 30% com tendência à redução.

Todo sonho tem seu preço, inclusive o preço financeiro. Só quem passou por um parto transformador pode saber quanto ele vale. E só quem se frustrou com uma desnecessária sabe o quanto gastou e se desgastou emocionalmente.

Muitos acham uma grande besteira parir. Não compreendem a ferida biológica que a dor de um não-parto, apesar da maternidade, podem causar. Afinal o que interessa é todo mundo vivo – já que estamos num campo de batalha – e nada mais.

Com uma outra vida dentro de ti, as sensações, as superações e as transformações são um luxo e "um risco" que você não tem o direito de querer ter. Assim diria qualquer um às 40 semanas de gravidez.

Depois do profissional realmente humanizado ser encontrado, é necessário se informar em toda parte. É fundamental ler de tudo e saber que no meio aparecerão bobagens, preconceitos, medos pseudo-científicos.

Não é necessário nem útil contar para todo mundo. Infelizmente, o encantamento que você pode ter em relação ao Parto não é uma unanimidade e tudo que você não precisa é energia negativa. Guarde para você, seu marido, alguém que de fato possa ajudar e o profissional.
Mas se quiser, conte para todo mundo... Depois.

Em terceiro, mas não menos importante, por mais que você seja super urbana e não queira se tornar vegetariana, bicho grilo ou uma loba, é imprescindível ter alguma conexão sólida com a natureza. Gostar da terra, se divertir com a água, respeitar os bichos e saber que recebemos infinitamente mais de Gaia do que podemos doar.

O que tem a ver? Parir é um ato natural e estar em harmonia com a natureza, com a Terra é sim de extrema relevância.

Claro que algumas parirão, mesmo tendo conexão apenas com o cartão de crédito, porque enfim, parir é biológico. Mas pertencer a esta sociedade nos traz dificuldades imensas e progressivas que de fato atrapalham o curso do parto natural.

A principal e mais cruel delas é a crença na defectividade do corpo feminino. Fazendo com que desacreditemos de nossa capacidade biológica, cria-se um mercado baseado nos excessos e altamente lucrativo.

As mulheres não têm defeito de fabricação. Tudo é como deveria ser. Crer nisto é a sofisticação do não direito ao voto e da proibição da participação nas olimpíadas no início do século passado. As mulheres sabem o que é melhor para si e definitivamente não precisam ser tuteladas.
Caso ainda reste dúvida: NÓS TEMOS ALMA.

E este é o quarto princípio para a conseguir o parto dos sonhos: confiar em si mesma. Ter fé no que não se vê, ter força e crer que o melhor sempre acontece.

Tudo isso é loucura num sistema tão avesso ao natural, ao fisiológico, baseado na tecnologia, na fatalidade e no acaso... Sem lógica, sem princípio, sem meio e sem fim.

Claro que o título deste texto foi para atrair. Existem mais coisas entre o céu e a Terra do que supõe nossa vã filosofia. Você já deveria saber disto! Não existe resposta para tudo e não existem garantias.

Cada mulher deve buscar antes de tudo em si mesma a força que necessita para gestar, para parir, para amamentar, para educar, para amar... Para ser mãe enfim.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Gisele: mais que celebridade, uma mãe consciente!!

Quem soube com detalhes sobre a gestação de Gisele Bunchen? Quantos quilos ela ganhou? Como ela estava se sentindo? Como ela se cuidou durante essa fase?
Pois é... Ela não contou grandes detalhes à imprensa sobre isso, assim como o resto da vida dela. Com uma história de vida pessoal preservada (até onde a profissão dela permite), Gisele virou uma ídola para algumas gestantes e mães consideradas xiitas, naturebas e alternativas. A escolha de um parto natural, humanizado e EM CASA era, até algum tempo, uma coisa de maluca, completamente doida. Aí aparece uma celebridade linda e completamente consciente da importância de um parto natural domiciliar e deixa muitas mães que escolheram ter uma cesárea eletiva – com data e hora marcada na maternidade que oferece manicure e maquiagem para a saída da mãe do hospital – um tanto quanto encucadas (espero).

Com a notícia de um lindo parto domiciliar na água acompanhado por uma parteira, Gisele conta que se preparou para um parto em que estivesse consciente no momento de dar a luz, e não dopada de analgesia e outras intervenções que fazem parte do pacote de inúmeras maternidades brasileiras, e que muitas parturientes não tem conhecimento de que podem ser completamente dispensáveis.
Agora vamos ver a repercussão que isso vai dar. Se a mulherada parar pra pensar um pouco mais sobre o assunto, der uma pesquisada, buscar mais informações sobre o parto humanizado, lutar pelos seus direitos, conhecer mais sobre o próprio corpo, conversar mais com outras mães, procurar mais grupos de apoio à gestante, se preparar para a dor (e não sofrimento) do parto, procurar um obstetra que respeite suas decisões – e não um que imponha uma cesárea desnecessária, muitas vezes eletiva porque vai estar viajando da DPP da gestante... Quem sabe as coisas não mudam um pouco... ou muito?! Parece muita coisa, mas isso é o mínimo que cada mulher deveria fazer durante a gestação e preparação pro parto. Já que temos poucos médicos humanizados no Brasil – preparados a acompanhar a natureza do nascimento de um ser e informar mais as gestantes de forma respeitosa e sincera – as gestantes deve buscar mais informação e se respeitar acima de tudo. São sentimentos, um corpo e uma VIDA que estão sendo submetidos à cirugias descenessárias, um novo ser que é apresentado ao mundo sem um mínimo de respeito, retirado do corpo de sua mãe e tratado de maneira assustadoramente grosseira, longe do calor da mãe, longe do seio e leite materno, encasulados em berçários sem necessidade nenhuma...
Uma mãe que gesta um ser carinhosamente, que cuida do corpo e da mente durante a gestação, que é consciente da beleza do parto, da dor necessária que seu corpo vai ser submetido num dos momentos mais importantes (senão o mais importante) de sua vida, que tem a paciência de esperar o trabalho de parto se desenvolver naturalmente sem a necessidade da aplicação de ocitocina, que escolhe tem um parto na água por tornar o nascimento do bebê um momento mais tranqüilo e menos traumático... Tudo isso não acaba com o nascimento do bebê. A mãe que tem toda essa consciência e conhecimento inicia um caminho à maternidade ativa com maior respeito pelo seu filho, fazendo de tudo para ser possível a amamentação exclusiva até os seis meses, cuida do filho com muito mais respeito ao tempo de desenvolvimento dele (não 'entupindo' a criança de alopatias para passar mais rápido uma cólica, uma 'febre' de 37 graus, oferecendo um milhão de estímulos para engatinhar mais rápido, andar mais rápido, falar mais rápido, escrever mais rápido...). Assim, certamente a criança tem uma educação mais saudável e uma enorme confiança na sua mãe, que já o respeitou desde a sua gestação e no momento do seu nascimento. Eu acredito que teremos um mundo melhor e harmonioso se as pessoas tiverem mais respeito por elas mesmas, pelos seus filhos e pelas pessoas que a cercam.
Agora, sobre a repercussão do parto da Gisele, vamos ver se as pessoas acordam para o fato de que o parto natural não é coisa de quem é xiita, natureba, alternativo, indio e que mora no mato!!! Ao contrario, é sim, uma escolha da parturiente e que deve ser respeitada!!
Parabéns Gisele!! Sou sua fã!!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Mais um ano que passou...

Posso dizer que 2009 foi o ano mais lindo da minha vida (até agora). Neste ano ganhei o melhor presente que alguém poderia ganhar. Ana Clara clareou minha vida, iluminou meu caminho e me mostrou que a vida pode ser muito linda. E nesse ano que passou, aprendi muitas coisas...
Ser mãe é muito difícil, mas muito delicioso
O Rapha é o melhor pai do mundo
Nascimento e parto são duas coisas distintas
Sou muito mais forte física e emocionalmente do que imaginava ser
Conceitos e prioridades de muitas coisas mudaram
Ser mãe não é tudo aquilo que a gente lê nos livros, artigos de revistas... é muito mais
Paciência e carinho são os segredos de toda boa mãe
Trocar fralda, dar banho e cuidar de cólicas de bebê são mais fáceis do que imaginei
Amamentar é uma das coisas mais maravilhosas do mundo
Não ter uma noite inteira de sono pode ser extremamente cansativo e estressante, mas é facilmente recompensada por um sorriso banguela às 6h da manhã
Conhecer e conversar com outras mães é fundamental
Mãe sabe muito mais do seu próprio filho do que o pediatra
Encontrar um bom pediatra não é fácil
Ler e informar-se sobre gestação, parto, trabalho de parto e muitos outros assuntos relacionados faz a maior diferença
Saber que o Brasil é recordista em cesáreas é uma coisa revoltante
Cesárea eletiva é a maior besteira do mundo
Parto humanizado, doula, sling fazem parte do meu novo vocabulário de mãe
Colo não estraga ninguém
O sling wrap salvou a minha vida social (e as minhas costas também)
Assistir a vídeos de partos naturais é muito bom
O enxoval do bebê pode ser reduzido em x% (x=muito) quando conversamos com mães espertas e experientes
Orkut é muito mais do que bisbilhotar fotos e encher a lista de comunidades bestas, existem pessoas muito queridas e comunidades fantásticas neste site de relacionamentos
Ter um blog é fazer terapia
Ser mãe é fazer escolhas e que MUITAS vezes exigem uma "cara de paisagem"
O significado das palavras 'mãe' e 'família' são outros agora
Agora posso dizer que sei o que é 'amor incondicional'

Quando descobri que estava grávida, minha cunhada me escreveu um texto muito lindo... e entre palavras tão lindas ela escreveu:

"Você acha que amou alguém nessa vida a ponto de se dar inteiramente???? Hummm... Não amava, até ontem! Se você pensa que alguém já te fez sofrer por "amor"... HAHAHHAHAHHAHHA... A primeira lágrima de amor verdadeiro, Isa Linda, você vai derramar quando ouvir o primeiro choro de cólicas que nem a mão mágica da mamãe vai conseguir curar. Você vai mentalizar que, naquele momento, a dor deveria ser em você. É... A maternidade é louca mesmo. A gente pede para sofrer no lugar de uma pessoa que você conhece há pouco tempo, mas que daria a vida por ela!"

Obrigada Ana Clara, por me ensinar a cada dia a arte de ser mãe. Te amo filha.