Todo dia, durante as sonecas diárias, eu entro no quarto dela enquanto ela está dormindo, e toda vez meus olhos chegam a marejar (como agora que estou escrevendo isso) e penso: tenho uma filha saudável, linda linda linda que clareia todos os meus dias cinzentos de Curitiba.
sexta-feira, 5 de março de 2010
Noites tranquilas, dias felizes...
Todo dia, durante as sonecas diárias, eu entro no quarto dela enquanto ela está dormindo, e toda vez meus olhos chegam a marejar (como agora que estou escrevendo isso) e penso: tenho uma filha saudável, linda linda linda que clareia todos os meus dias cinzentos de Curitiba.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
Uma noite inteira sem interrupções...
Isso me faz pensar que não tenho mais aquele bebezinho que dormia na minha cama, sem se mexer, mamando de hora em hora... Rapha e eu, geralmente enquanto a Ana dorme, ficamos vendo fotos dela, ficamos com saudade daquela bebê gordinha, cheia de dobrinhas, com as bochechas grandonas e com umas roupinhas que já não servem mais. Ouve-se uns loooongos suspiros, meus olhos até chegam a marejar... Sentimos um aperto esquisito no peito e que jamais eu poderia imaginar sentir, e que não conseguimos nem explicar direito como é... coisas de mãe e pai. E sei que vou continuar sentindo isso sempre. Não é ruim, mas nos dá uma sensação de impotência com relação ao tempo, que muitas vezes temos vontade de congelar...segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
A fórmula mágica [2]
Esta noite acordei estranhando o silêncio. Não havia barulho algum e pensei que o mundo tinha acabado e você tinha esquecido de mim. Coloquei a boca no trombone e você veio. Ainda bem!
Fiquei tão feliz no calor do seu peito que acabei pegando no sono antes de mamar tudo o que precisava. Quando percebi que você ia me colocar no berço, chorei de novo, mas não tente negar: você estava com pressa para ir dormir outra vez.
Você me deu de mamar novamente, assim, meio apressadinha e depois resolveu trocar a minha fralda. Estava tudo tão calmo, um silêncio, nós duas juntinhas. Estava legal e eu perdi o sono. Você até que foi compreensiva, mas começou a bocejar e resolveu me fazer dormir. Eu não queria dormir. Talvez eu precisasse de mais uns dez minutos, meia hora.
Mas você estava mesmo decidida a dormir. Foi ficando bem nervosa e até chamou o papai. Eu não queria o papai e todos fomos ficando muito irritados. No final das contas acordei a casa inteira cinco vezes. De manhã nossa família estava com cara de quem saiu do baile. Acho que estraguei tudo.
Imagina, você chegou a dizer para o papai que estou com problema de sono. Eu não! Você é que vem me dar de mamar com pressa e daí eu sinto que você não quer mais ficar comigo.
Os adultos tem hora certa para tudo, mas eu ainda não entendi essas de relógios e tarefas estafantes que as pessoas grandes precisam fazer. Quando meu corpo está com o seu, quero ficar do seu lado sem me separar nunquinha. Do alto dos meus oito meses ainda não descobri direito que você é uma pessoa e eu sou outra. Um dia eu vou sair por aí, vou saber telefonar e posso lhe deixar doida para saber o que ando fazendo e então você vai entender como me sinto agora. Mas não precisamos dessa guerra, mamãe. Até lá já podemos nos entender inclusive através das palavras.
Sinto a angústia da separação, pois terminei de viver uma das grandes. Você também, mas vive tudo isso como adulta consciente. Eu ainda vivo no inconsciente. Por enquanto nossa comunicação direta fica restrita aos nossos sentimentos inconscientes. Eu não sei nada, tudo é novo pra mim. Você pode até achar que não sabe nada e que tudo é novo pra você, mas eu vou aprender o que você me ensinar através da sua sensibilidade, dos meus sentimentos em relação a mim.
Sabe mamãe, se você quer um conselho, vou dar: quando eu chorar à noite, não salta logo para meu berço desesperada, como se o mundo fosse acabar. Espere um pouquinho, respire profundamente, ouça o meu choro até que ele atinja seu coração. Sinta seu tempo, realmente acorde e venha me pegar. Me abrace devagar, não acenda a luz, fale bem baixinho e me dê o seu peito para eu mamar. Depois que eu arrotar, mais um pouco só de paciência, pois nós, bebês, somos muito sensíveis ao sentimentos dos adultos, especialmente os da mamãe. Se eu sentir que você está com pressa, sou capaz de armar o maior barraco, mas se você esperar até meu segundo suspiro, quando meus olhos ficarem bem fechados, minhas mãos e pernas bem molenguinhas, aí sim pode me colocar de volta no berço que eu não acordo antes de sentir fome outra vez.
Conforme você for desenvolvendo sua paciência, eu estarei desenvolvendo minha tranquilidade e nós não teremos mais noites infernais; apenas noites de mamãe/bebê, que um dia passam, como tudo na vida.
Sempre sua, Ana Clara.
Depois de uma noite 'de baile', fiquei bem angustiada e fiquei me perguntando o que eu tinha feito de errado. Aí, dando uma olhada na internet achei esse texto acima (com algumas alterações que fiz) e resolvi postá-lo aqui (o texto original é de Claudia Rodrigues publicado no livro "Bebês de mães mais que perfeitas").
Foi um texto que me fez refletir mais uma vez sobre esse assunto que sempre foi complicado pra nós, e mais uma vez me dei conta de que não existe nenhuma outra solução que não seja muita paciência e muito carinho. O texto não reflete exatamente a nossa situação, mas quase. O Rapha me perguntou se a gente não deveria ter 'acostumado' a Ana desde recém-nascida no berço dela, longe de nós. Na verdade eu até tentei, mas meu instinto materno falava mais alto e a cama compartilhada me deixou mais tranqüila.Quando a Ana descobriu seus movimentos, ela se mexia muito durante a noite e a cama ficou pequena pra nós três . Tiramos uma das grades laterais do berço, encostamos na nossa cama e ela continuou dormindo bem pertinho de nós. Uma dia resolvemos mudar de quarto, pois ela acordava muitas vezes a noite e achamos que, então, ela estava 'pedindo'o espaço dela. Hoje ela dorme bem sozinha, mas ainda acorda a noite e continuo amamentando com o maior prazer, uma ou duas vezes por noite e sem pressa pra voltar a dormir. Algumas vezes ela demora um pouco pra voltar a dormir, mas eu sei que tem algum motivo. Bebês não fazem manha!! O motivo pode ser um dente, uma cólica, uma fralda suja ou simplesmente a vontade de um colo quentinho com cheiro de mãe.
E eu estarei sempre aqui para o que você precisar, filha. Sempre.
Imagem. Arquivo pessoal. Dia 22/02/10. Ana Clara tirando uma soneca (tirei a foto agora pouco, logo que terminei de escrever esse post).
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Dias difíceis, novas conquistas
Desde o final do ano passado, a partir das festas (Natal e Ano novo) a Ana mudou a rotina do sono (um super pico de desenvolvimento) e virou uma bagunça. O ano começou e dia 8 de janeiro levamos ela pra tomar vacina. No mesmo dia o PRIMEIRO dente 'resolveu' apontar...coitadinha! Deu febre (reação da vacina+dente apontando). Ela ficou toda molinha, quentinha e sonolenta. O jeito foi dar um banho mais fresquinho pra baixar a febre, muito colo e peito. Uns dias depois nós viajamos (só eu e a Ana), fomos pra praia passar o fim de semana. Pra relaxar? Doce ilusão. Viajar sem o Rapha pra dividir um colo... Nunca mais!! A Ana sempre foi muito tímida e grudada na gente: não vai no colo de quem não conhece (e, por favor, não insista), não fica muito tempo sozinha, precisa sempre de uma companhia para brincar, dar atenção à ela, um colo... Aí, já viu, né?! Passei o final de semana na praia com um bebê no colo, ou melhor, no sling (senão não tinha agüentado), porque nem no chão ela queria ficar. Foi super cansativo, e ainda ter que escutar aquela conversa de sempre: "mas é claro que ela não vai com ninguém, fica enrolada nesse pano aí, no bem bom do colo da mãe...". Aí a gente faz uma cara de paisagem, dá um sorrisinho e muda de assunto. Voltando da praia, uma virose. Depois do final de semana bem cansativo, ainda mais quatro dias cuidando de um bebê com rotavírus.
Estava exausta: quase dois meses sem conseguir dormir mais de2 ou 3 horas consecutivas. Eu já estava passando mal de exaustão, comecei a perder a paciência com a Ana... Não sabia mais o que fazer, só queria poder dormir tranquila, ter uma noite inteira de sono (porque, desde que a Ana nasceu, ela nunca dormiu uma noite inteira).
Foi quando, na quarta-feira da semana passada, sentei com o Rapha pra conversar e decidir fazer algo para mudar aquela situação. Foi um tanto quanto complicado chegarmos a um consenso, mas enfim decidimos desmamá-la a noite. Eu estava muito cansada, e imaginei que o processo do desmame noturno exigiria de mim mais um tanto de esforço, mais paciência... Pois não queria fazer um processo radical, e sim um desmame 'gentil'... Respirei fundo e lá fomos nós, para mais uma noite de luta com o sono da Ana.
Uma surpresa. Já na primeira noite a Ana acordou somente 2 vezes. Ficamos muito felizes, porque, quem conhece, sabe que a Ana não acordava menos de5 vezes por noite (quando não dava 'baile' e resolvia ficar acordada brincando durante umas 2 horas na madrugada...). Tentei conter um pouco a felicidade: "só foi a primeira noite". Na segunda noite a mesma coisa. E mais uma noite, e mais outra... Que maravilha!
No domingo fez um dia lindo, ensolarado e fui com a Ana na praça, tomar um sol, brincar com a prima Daniela, ver outras crianças... Foi ótimo. Chegando em casa, a Ana jantou, dei um banho e ela dormiu. A noite inteira!! Nem acreditei quando acordei, vi que já era dia e ela não havia acordado nem uma vez sequer, das 20h30 às 6h30.
Hoje é terça-feira, 23h e ela está dormindo. Vamos ver como será essa noite. Mas já estou bem feliz, recuperada do cansaço e contente com essa nossa nova conquista.
A Ana está linda: anda de um lado pro outro apoiada no sofá, já dá uns passinhos desengonçados segurando em nossas mãos, dança em todas as músicas de propagandas na TV, oferece o pão e a bolacha pra quem estiver mais próximo enquanto ela come, exibindo os dois dentinhos que nasceram a poucos dias... Lindo de ver.
E a vida é assim: a tempestade chega cheia de trovões e relâmpagos, mas passa. As nuvens vão embora, o céu se abre e o sol aparece trazendo luz e calor.
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
A fórmula mágica.
Tem bebês que tem cólica... outros tem refluxo... a Ana não tem nada disso.Ela não tem nada: nem sono. Ou melhor, acho que ela tem MUITO sono e tem uma briga eterna com ele... toda vez que faço ela dormir eu repito várias vezes: "Ana Clara, não precisa brigar com o sono, ele é seu amigo..."
Quando eu estava grávida, eu ouvi muito: "aproveita pra dormir agora , porque depois...".
Eu sempre achei que não iria mais dormir por preocupação, acordaria pra ver se o bebê está bem... Mas não: quem me acorda é a Ana, toda noite várias vezes... São quase 6 meses sem nenhuma noite inteira de sono... Tudo bem... Agora pouco, conversando com uma amiga que tem dois filhos disse que já faz quase 4 anos sem dormir uma noite inteira... (Ai que medo!!)
Porém, com quase todas minhas amigas-mães a situação foi diferente:
- "a minha filha dorme a noite inteira desde o primeiro mês..."
- "o meu filho sempre dormiu bem, não tenho do que reclamar, desde do segundo mês dorme a noite inteira!!"
- " a minha filha dorme super bem... e desde que saiu da maternidade dorme sozinha..."
Dorme sozinho? Sem embalar, sem precisar ninar? Pois é... juro que às vezes acho que é mentira... Depois descobri que esses são casos raros...
Eu não posso reclamar: a Ana é um bebê super saudável, mama bem, está crescendo, é linda!! Posso contar nos dedos de uma mão quantas vezes a Ana teve cólica... Refluxo? nem sei o que é isso. Mas o sono... Li de tudo um pouco, ou melhor, muito. Existem remédios, florais, calmantes, diferentes técnicas para o bebê dormir, mas eu optei pela fórmula mágica: paciência. Ser mãe é ser paciente. Ter calma e ter respeito pelo tempo de desenvolvimento do bebê. E mais: observar atentamente seu filho e tentar uma sintonia com ele, observar seu crescimento e descobertas a cada dia!!
Isso tudo é muito lindo, mas... e quando a fórmula mágica da paciência acaba? o que a gente faz? Quando posso peço ajuda para o pai, avó, dinda e vou tomar um copo d'água, um chá, às vezes um banho, respirar fundo e voltar ao trabalho de mãe. E quando fico sozinha, algumas vezes aconteceu de eu deixar ela no berço chorando e ficar do lado dela chorando junto. Ou... como agora: estou sozinha em casa e a Ana tá enrolada no portage, bem quentinha no meu colo dormindo depois de 1h de briga com o sono (nesse caso tive que tomar uma dose extra de paciência, porque ela tá passando por um pico de crescimento - mais colo, mais carinho, mais amamentação, mais dificuldade pra dormir...)
Com o tempo a fórmula mágica fica mais forte e dura mais tempo... E nós, mães, vamos aprendendo, cada dia mais, lidar melhor com essas situações...
Ser mãe é a profissão mais difícil, mas é a mais gratificante. Ser mãe é viver no limite: da paciência, do cansaço... Ser mãe é aprender a lidar com esses limites e se superar todos os dias. Amo ser mãe.