AÇÃO DA PARTO DO PRINCÍPIO NO DIA DO TRABALHOAna Clara - 1 ano e 9 meses
AÇÃO DA PARTO DO PRINCÍPIO NO DIA DO TRABALHOAna Clara - 1 ano e 9 meses
Consulta de rotina. E está tudo ótimo.
Na volta não teve jeito: o sono estava estampado no rosto da pobrezinha, colo, colo, colo pelamordedeus mamãe!! E apagou em questão de poucos minutos. Cheguei em casa, desenrolei o pacotinho de 11kg do sling e dormiu mais um tantão.

Esses dias uma amiga minha (uma colega do tempo do colégio, nos reencontramos via orkut alguns anos depois e permanecemos colegas virtualmente mesmo), recente mãe de primeira viagem, veio me pedir um conselho...
"Oi, Isa, tudo bem com vocês?? Queria saber com quanto tempo você começou a dar suquinho para a Ana Clara . E se quando você começou você dava na mamadeira ou no copinho?? É que o pediatra da minha filha recomendou que ela comece já, com 3 meses. O meu medo é de dar a mamadeira e depois ela não querer mais pegar o peito... Beijos Fulana"
E lá fui eu - tentando controlar minha extrema indignação - com meu discurso de mamífera apoiadora da amamentação exclusiva, tomando todo cuidado do mundo com as palavras para não parecer prepotente ou me colocando dona da verdade absoluta. Falei que, se por acaso ela não estivesse produzindo quantidade de leite suficiente, que se a filha dela estivesse ficando com fome após as mamadas e/ou não estivesse ganhando peso, ela deveria complementar com LEITE (leite alterado, tipo NAN) e não com suco. Falei que a OMS (Organização Mundial de Saúde), a Sociedade Brasileira de Pediatria e os principais órgãos de saúde e defesa da criança recomendam alimentar o bebê exclusivamente com leite materno até os seis primeiros meses e continuar a amamentar até o primeiro ano da criança. Falei sobre a questão da mamadeira e do copo, que é uma questão muito pessoal e blá blá blás...
Bisbilhotando os recados dela, vi que ela pediu o mesmo conselho a outras amigas, e a maioria também falou sobre a recomendação da OMS e que amamentaram exclusivamente seus filhos até os 6 meses. E, sobre a mamadeira, cada uma tinha uma opinião diferente.
A resposta dela, pra mim, foi simplesmente:
"Ok, muito obrigada pelo opinião!! Bjos Fulana"
A partir daí já fiquei um tanto triste. Já percebi que minha resposta não tinha agradado... Mas ela pediu um conselho, eu dei, ué! E minha teimosia compareceu, firme e forte: não desisti de tentar ajudá-la, e indiquei umas leituras sobre a importância da amamentação exclusiva e disse que, se ela estivesse um tanto quanto receosa com a recomendação do médico da filha, ela que procurasse saber da opinião de outros pediatras. E que, acima de tudo, ela seguisse a intuição de mãe: "quem sabe mais sobre nossos filhos somos nós", eu disse. E que se ela estava com medo de dar a mamadeira com medo de a filha largar o peito, ela que não desse!! Enfatizei que não queria ser pretensiosa e que estava ali com a melhor das intenções para ajudá-la a respeito da amamentação. Prometi a ela que essa seria minha última resposta sobre isso e que não iria mais incomodá-la com o assunto.
"Confio no pediatra, tive boas indicações dele. Acredito que ele saiba mais do que nós, por isso vou fazer o que ele recomenda!! Abraços Fulana"
Pra terminar, passei lá no orkut dela pra pedir desculpas por incomodá-la (com minhas baboseiras embasadas cientificamente), mas ao ver, em letras garrafais: "ODEIO PESSOAS QUE ACHAM QUE SABEM DE TUDO", desisti de vez. E fiquei triste, por perder uma amiga por conta de um pediatra maluco que recomenda isso para uma mãe desinformada (e com nenhuma vontade de aprender...) e, principalmente, por saber que uma bebê indefeso vai ser submetido a isso.
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Não sei muito bem o que pensar sobre tudo isso. Durante um tempo refleti bastante, pensando no que eu errei, se falei algo de maneira muito grosseira que pudesse ter chateado a tal fulana. Me coloquei no lugar dela, mas, em todas minhas respostas, lembro de ter procurado ser muito cuidadosa com as palavras para justamente não chateá-la.
Eu sei que ela não queria saber da tal amamentação exclusiva até os 6 meses, e que a dúvida era dar no copo ou na mamadeira - que eu dei a minha opinião, é claro, mas não descrevi com detalhes aqui pois não foi esse meu enfoque no assunto do post. A minha vontade foi dizer: "se você confia tanto assim no seu pediatra, pergunta pra ele, ué?!". Mas eu fiquei na minha e sei que isso foi o melhor que pude fazer.
Não sei porque ela veio me pedir minha opinião. =(
