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terça-feira, 5 de abril de 2011

Dia de pediatra: na sala de espera...




Pois é... hoje foi dia de consulta. E Ana Clara está crescendo, não só na régua, nem só na balança, nem só na idade, mas... em tudo! E rápido!

A consulta estava marcada para às 13:00. Almoçamos, enrolei a "pequena" e lá fomos nós no doutor. Cheguei a cogitar a idéia de levá-la no carrinho - ela está já um tanto pesada, estava bem no horário da soneca e certamente ela iria empacar no caminho implorando pelo colo da mamãe - mas ainda acho que carrinho e ônibus definitivamente não combinam. Sem contar que, morando em Curitiba, mesmo com um dia maravilhoso de sol como hoje, a chuva pode aparecer assim, de repente sem avisar! Sling ainda é nossa opção. Descemos do ônibus e ainda eram 12:30, então tirei ela do sling e pedi encarecidamente que ela fosse caminhando. Foi difícil, mas ela acabou cedendo. Chegando no consultório, a secretária logo me avisa que o doutor está um pouco atrasado... Mas, enfim. Vamos esperar.


Na sala de espera estava lá uma mãe com seu bebê de 5 meses no colo tentando amamentar. Junto dela estava sua mãe, avó do bebê, com aquelas tradicionais bolsas de bebês com kit completo, mamadeira de água, garrafinha térmica, potinho com leite em pó... Logo que ouviu o barulho da avó abrindo o potinho com o leite, o menino já arregalou os olhos, se torceu todo para olhar bem para a mamadeira e não quis mais saber daquele peito da mamãe (faaarto de leite materno). Estava afim mesmo do complemento.

Resolvi perguntar o motivo dele precisar tomar aquele leite: o bebê nasceu muito pequenininho e não ganhava peso. O pediatra mandou dar complemento. Além disso a mãe já dá frutas e avó disse ainda que na páscoa ele vai experimentar "só um pedacinho" de chocolate.

Quem sou eu pra dizer alguma coisa sobre a real necessidade de dar o LA, mas CHOCOLATE???? com CINCO MESES?? Me poupe... "só pra experimentar"...

No meio da conversa chega outra avó (esperando pela filha que está no consultório do pediatra com o neto). E pergunta para a tal mãe do bebê de 5 meses: "mas ele já come? não é a partir dos 6 meses a alimentação sólida?" Pois é - pensei... Mas a mãe logo responde: "mas o pediatra já liberou as frutinhas e daqui há alguns dias ele disse que já dá pra dar outras coisas...".


Abre parênteses...
Tenho que dizer que, com relação a esse assunto, aqui em casa a gente é considerado meio fora da casinha. Estudei um bocado sobre amamentação, introdução de alimentos... (tá pensando o quê? a maternidade é profissão, e difícil! exige estudo diário! Senão a gente cai na ladainha de uns pediatras aí que liberam o suquinho com 3 meses, aí já viu, né?). Aqui a amamentação exclusiva foi até aos 7 meses (exclusiva meeeesmo!). A introdução de alimentos foi feita com muito cuidado, respeito, carinho, paciência e, principalmente, informação. Eu juro que não entendo essa do pediatra "liberar" a papinha, liberar o suquinho... Por que aqui o pediatra não manda em mim!! Sei que cada criança é de um jeito, tem seus gostos, suas opções, sua personalidade. Mas acabamos jogando a culpa nessa tal "personalidade" quando nos deparamos com aquela cena muito conhecida da criança que não quer comer. Será que essa "falta de apetite" é realmente culpa da "personalidade"? Ou será que não é nossa (dos pais) que começamos a introdução de alimentos do bebê com CHOCOLATE?

Não precisaria explicar (mas já explicando) que a falta de apetite de uma criança pode ter inúmeras outros motivos, mas acho que esse é quase sempre descartado, e deixo aqui essa minha opinião sugerindo uma reflexão sobre o assunto.

Erramos, acertamos... somos humanos! Mas não podemos nos eximir. #prontofalei

Fecha parênteses.


Enfim. Chegou então nossa vez. Entramos no consultório, o doutor aquele monte de perguntas (acho óóótimo, pq sempre esqueço de perguntar algumas cosas, e ele sempre me lembra!). Mediu, pesou, escutou coração, pulmão, olhou orelha, nariz, garganta, dentes, pé, barriga, costas, pescoço... e Ana Clara bem quietinha, mas com uma carinha tensa (doutor, vai logo com esses negócios aí que senão eu solto o verbo!!). Não choramingou, não reclamou.

Consulta de rotina. E está tudo ótimo.


Na volta não teve jeito: o sono estava estampado no rosto da pobrezinha, colo, colo, colo pelamordedeus mamãe!! E apagou em questão de poucos minutos. Cheguei em casa, desenrolei o pacotinho de 11kg do sling e dormiu mais um tantão.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

"Pressa... muita pressa nessa hora..."


Ana Clara completou 6 meses há exatos 20 dias e eu ainda não comecei a introdução de alimentos sólidos... Li muito sobre o assunto, e me identifiquei bastante com um texto de uma amiga minha - Dicas para iniciar a alimentação do bebê. Ela diz que devemos "olhar mais para a criança e menos para o relógio": lógico!! Cada pessoa é diferente da outra, porque que com os bebês seria diferente? Por que que no "mêsversário" de 6 meses de todo bebê devemos dar a primeira papinha? Isso quando já não se introduziu alimentos antes disso (o que acontece com muita freqüência...). Por que a pressa?
Eu sinto muitas mães super inseguras e que jamais questionariam o que o pediatra de seu filho falar. Sinto que muitas mães tem pressa que seu filho comece logo a comer, a engatinhar, a andar a falar...

Aliás: a pressa começa antes disso: na gravidez. Se, com 13 semanas de gravidez, a gestante faz uma ecografia e não consegue ver o sexo do bebê, ela já fica desesperada: “Meu Deus? Não vai dar tempo de preparar o enxoval do bebê!!” E quando a gestante chega às 40 semanas, o ginecologista obstetra já marca uma cesárea pois “o bebê já está pronto pra sair”.
Neste fim de semana encontrei uma grávida e perguntei: “Tá de quantas semanas?” e ela respondeu: “Ai ai... não sei te dizer exatamente, mas sei que até dia 10 ele nasce!”. Como ela sabe? Certamente o médico dela disse que a DPP seria dia 10 de novembro, mas como já diz a sigla DPP: data provável do parto. Provável, e não exata. Pode ser antes ou depois disso. Depois? Sim!! A DPP é marcada com 40 semanas, mas a gestação pode durar até 42 semanas. Mas hoje em dia, qual grávida espera mais que 40 semanas? Se até essa data ela não tiver entrado em TP (trabalho de parto), é marcada uma cesárea na certa!! (isso se ela já não tiver marcado mesmo sem ter entrado em TP). Pressa, pressa, pressa... Por quê?

E depois que nasce? O bebê já deve ser “adestrado” a ser independente!! (“adestrado” pode ter sido um termo muito forte, mas muitas vezes é isso que eu acho que algumas mães fazem). Os pais aplicam técnicas para ensinar o bebê a dormir sozinho, no seu berço, longe dos deles, sem muito colo “senão acostuma mal o bebê!!” E se o bebê não dorme a noite inteira já no segundo ou terceiro mês, muitos “apelam” para chás calmantes e até remédios!!

E a amamentação exclusiva até os seis meses? Vejo que algumas mães, com as quais converso, se sentem vitoriosas por conseguirem amamentar exclusivamente até aos seis meses. Desculpa aí, mas, salvo alguns problemas de amamentação e outros poucos motivos, acho que não fazemos mais do que a nossa obrigação. É sim obrigação de mãe prezar pela saúde do filho, não é? E alimentar um bebê antes dos seis meses sem ser com o leite materno é descuido com seu filho!! O sistema digestivo do bebê não está pronto pra receber comida antes disso. Mas se a mãe o faz... No entanto, muitas vezes também não é culpa da mãe. Tem pediatra que desmama, diz que com quatro meses já deve-se introduzir papinhas, aí as mães “vão na onda”. E alguém vai discutir com o médico? Pois é, as mães que estudam, que lêem e que acreditam que elas sabem mais do seu filho do que o pediatra, talvez questionariam o médico... outras simplesmente não dizem nada e certamente vão procurar um profissional melhor.

Mas e as mães que não tiveram estudo? Que não tem acesso à internet? Infelizmente essas dizem “amém” a tudo que o pediatra diz. E vai da sorte dela encontrar um bom profissional no posto de saúde. Infelizmente...

Hoje mesmo fui no “Programa Mãe Curitibana” pra conversar sobre a questão da introdução da alimentação sólida... A profissional que me atendeu disse que eu já tenho que começar a dar todas as refeições do dia pra minha filha: “café da manhã (uma fruta), almoço (uns três ou quatro alimentos de cores diferentes) e de sobremesa um suco, no meio da tarde outra fruta. Entre as refeições pode amamentar, mas o leite materno já não é mais a base da alimentação do bebê.” Sem comentários...

E os estímulos? Bebês e as crianças são envoltas de estímulos e mais estímulos: cores, músicas, desenhos, televisão, computador, milhões de atividades extras curriculares. Pra quê? Olha aí a pressa novamente...

Ter que lutar pelo que acho certo, indo contra o que diz toda uma sociedade atual que vive com pressa de tudo, é muito difícil.
Me sinto em sintonia com minha filha desde que ela estava na minha barriga. E isso vai muito além das conversas que tinha com ela na gestação e das músicas que colocava pra ela ouvir... Estar em sintonia é ... sentir, amar cada instante, viver intensamente o amor de estar com seu filho. Deixar a vida fluir naturalmente: e tudo em seu tempo. É preciso ter MUITA paciência, calma e principalmente: respeito. Profissão de mãe é difícil!! Ninguém nunca disse que era fácil.