Lembro bem do transtorno que era a preparação para o banho durante o primeiro mês da Ana: esquenta a água com umas ervas especiais para banho de bebê, enche a banheira com água do chuveiro, colocava o 'termômetro de tartaruga' na água (mãe de primeira viagem nunca sabe a temperatura certa, precisa do termômetro), leva tudo pro banheiro: toalha, coeiro, fralda, pomada, pijama... Liga o aquecedor (além do banheiro ser enoooorme e sempre gelado, a Ana nasceu em abril, lembro que estava muito frio...). Tira a roupa do neném, dá o banho naquela banheira enorme, acaba o banho, enrola o neném na toalha, abaixa o trocador, coloca a fralda no neném, o pijama... enquanto isso aquela choradeira (até hoje a Ana chora pra pôr a roupa...).
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Ana Clara no balde...
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Eu também sou dessas mães xiitas!
Mães Xiitas
Sempre que ouço falar em amamentação prolongada por 2 anos ou mais, exclusiva por até 6 meses ou mais, escuto também das "mães xiitas", defensoras do aleitamento, ortodoxas.
Claro que vem também a história de ser mais mãe ou menos mãe.Me vem à cabeça uma imagem terrível de mães em trincheiras batalhando pela verdade, batalhando entre si...
Eu confesso que tô mais para xiita. Explico.
Vivemos, nós mulheres em especial, numa sociedade que produz efeitos imediatos sobre o comportamento: a mídia de forma geral dita regras de conduta, dita tendência, dita modismos, dita posicionamentos, desde a cesárea da cantora x ao parto domiciliar da esposa do ator Y. É uma cultura do aqui, do agora, onde temos que responder pelo imediatismo e acima de tudo pela aquisição (assunto pra outro post).
Uma cultura que exige que a mulher desempenhe papéis diversos, que a cobra por isso, mas que não garante que sua natureza seja respeitada, que não permite que se expresse no auge de sua feminilidade: parir e nutrir seus filhos!
Uma sociedade que mecanizou o nascimento pela cesárea e que está mecanizando o aleitamento pela mamadeira.
Então, nesse absurdo contexto neo liberal, porque seria diferente com a maternidade?
Engana-se quem não acredita que a maternidade é um produto lucrativo para o mercado capital.
Engana-se quem não compreende que incapacitar a mulher dá lucro.
Veja bem:
vende-se enxovais carissímos com muito mais do que o necessário para um bebê
vende-se quartos de bebês e apetrechos muito além do preciso para as demandas de um bebê
vende-se roupinhas e mais roupinhas - ate os bizarros saltos altos para bebês !!!
vende-se kits de mamadeira
vende-se esterlizadores de mamadeiras
vende-se escovinhas para mamadeiras
vende-se bicos para água, para leite, para líquidos engrossados
vende-se prendedores de chupetas
vende-se chupetas 0-6 meses
vende-se chupetas 6-24 meses
vende-se aparelhos para dentes
vende-se leite artificial (de tipos e qualidades variadas)
vende-se mais leite artificial para 1+, 2+, 6+ e etc
vende-se carrinhos e mais carrinhos de passeio
vende-se consultas e mais consultas à pediatras
vende-se suplementos, complementos, vitaminas e medicamentos.
Mas sabe o que não se vende? Leite materno não dá lucro.
Aleitamento prolongado não dá lucro.
Não vende mamadeira, chupeta, não vende!
Parir e nutrir no Brasil se reduziu a um vasto mercado para bebês em mega stores lotadas, em maternidades 5 estrelas.
E daí quando vc toma conhecimento disso tudo, quando finalmente a verdade te acerta duro na cachola e você descobre que o mercado capital é mais cruel do que imaginamos, não tem jeito de não militar, de não querer abrir os olhos de tantas mulheres que são convencidas de que são incapazes de parir e nutrir seus filhos, que se ferem acreditando que são incapazes, que falharam.
Realmente não são menos mães. São mães conduzidas socialmente de forma incoerente e cruel.
Leite fraco, pouco leite, insuficiente, peito caído, dor, romantizar o aleitamento, crucificar o aleitamento. No fim o resultado é um só: desmame precoce.
Hoje em dia não basta querer. Tem que querer muito. Muito mesmo.
Porque quando você descobre uma gravidez, já sabe que terá cumes altissímos para escalar se quiser um parto normal. Natural? Domiciliar?Tem que virar mãe -leoa, xiita e se preparar para desafiar saberes consagrados socialmente como inabaláveis.
Amamentar sem sair do consultório do pediatra com receita para leite artificial? Amamentar sem ouvir que teu leite é fraco, que seu bebê chora de fome? Tem que ter muito peito para desafiar a lógica do fracasso!E sabe porque? Porque não gira a roda da fortuna.
É uma realidade triste.Por isso, precisamos ser firmes em nossos propósitos, nos fortalecer, buscar informação de qualidade, ler, questionar e buscar coletivos que afinem com nosso jeito de encarar as coisas...
Se depender da TV, da mídia e de opiniões enraizadas e ensimesmadas, parir e nutrir continuará sendo mérito de meia dúzia de mulheres taxadas mundo afora de naturebas e xiitas...
É nesse mundo que você quer que teu filho/a cresça?
domingo, 20 de dezembro de 2009
“Diniversário” do Rapha...
Depois de um extenso curso (15 horas de ‘xtreme defense’) na academia onde ele treina Krav Magá, o Rapha voltou pra casa hoje de manhã às 9h. Eu estava dando de comer pra Ana quando ele chegou (exausto!). Dei os “Parabéns”, entreguei um presentinho (comprado com muito carinho) e terminei de dar a papinha de mamão pra Ana. Tomei banho (a resistência não resolve soltar bem no finalzinho do meu banho?! Ainda bem que eu já tinha tirado o shampoo da cabeça – banho gelado ninguém merece!), sequei o cabelo (com a Ana do meu lado no carrinho - dentro do banheiro - e o Rapha arrumando a resistência do chuveiro). No meio da “secagem capilar” a Ana não parava de gritar – agitada por causa do sono – então (com o cabelo meio seco, meio molhado) fui fazer ela dormir. Terminada a TM (tarefa de mãe), terminei de secar o cabelo, fui preparar a papinha de almoço da Ana (TM), arrumei a bolsa dela (enquanto isso o Rapha “capotado” no sofá). O telefone tocou (a sogra confirmando a nossa ida dominical à casa dela), o Rapha acordou, se vestiu, a Ana acordou da soneca, enrolei ela no sling e fomos pra casa da vovó Iara (minha querida sogra). Chegamos pro almoço, dei de comer pra Ana ao mesmo tempo que almoçava (TM), comemos a sobremesa - delícia, como sempre -, brincamos no chão da sala com o primo Bernardo enquanto a sogra lavava a louça, conversamos muito (sogra e eu), Rapha e Diego (pai do Bernardo) jogavam vidogame, Rapha dormiu, fiz a Ana dormir (TM), conversamos mais um pouco (sogra e eu), tomamos café, a Ana acordou, a vovó Iara deu de comer pra netinha, o Rapha acordou, tomou café e fomos, de carona com a minha tia Ceres, embora pra casa (levando, como de costume, um pedaço de bolo – delícia, como sempre!). Chegando em casa, ‘pegamos’ a vovó Clélia de saída para assistir uma apresentação de dança da Carol, brincamos um pouco com a Ana, fui na ‘pani’ e comprei duas latinhas de “ Caracu” pro Rapha, voltei, preparei o banho da Ana (TM), dei banho, amamentei (TM) e ela dormiu.
Eu e o Rapha ficamos a sós, tivemos um momento gostoso. Conversamos bastante, reflexões sobre a vida... Felicidade.
Tenho uma filha linda e saudável, tenho um companheiro mais do que companheiro (um pai, namorado, marido, amigo, amante...), uma família maravilhosa (cheia de defeitos e problemas, mas maravilhosa).
Tive uma ótima educação (pela família e pela escola), tive uma infância perfeita (casa na árvore, quintal de abacateiros, passeios de bicicleta com a família no parque São Lorenço), uma adolescência com algumas besteiras e muito aprendizado...
Viajei, acampei, conheci lugares, conheci pessoas, brinquei muito, “fiquei”, beijei, transei, fiz besteiras, caí, levantei, fiz amizades, estudei, namorei, cursei uma graduação, aprendi, errei, tomei porres, festei, me formei, trabalhei, engravidei.
Hoje sou uma pessoa feliz, sou uma boa mãe. Estudo diariamente sobre a maternidade e aprendo muito - a cada minuto - com a minha filha. Erro, aprendo. Caio e levanto: não sou perfeita. Tenho sonhos e vou realizá-los (sim!), pois são sonhos simples e mantenho sempre o pé no chão.
Plantei uma árvore, escrevi um livro e fiz um filho. Espera ái: ainda não posso morrer! Não sou completa e (talvez) nunca serei. Mas busco a minha felicidade sempre... um dia de cada vez.
Feliz aniversário, Rapha, meu amor... Te amo. Obrigada por tudo.
Ps. Por quê “diniversário”? Porque é assim que a Daniela (minha sobrinha afilhada muito engraçada) fala “aniversário”.
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
OBJETIVO:PERFEIÇÃO
Não sou contra essa preparação das crianças, só acho que tudo ao mesmo tempo não adianta nada, já cansei de ver crianças e adolescentes me dizerem a mesma coisa, "mas professor eu até consigo estudar uns vinte minutos por dia mas depois tem o curso disso e depois tem o outro e a noite tem a lição da escola", sei que essa conversa já é batida, mas volto nessa questão, crianças e adolescentes não são máquinas porque são novos e fortes.
PAIS, não confundam o viço da juventude com a resistência de um bloco de concreto (pois este não sofre de crises de estafa, gastrite nervosa, depressão etc... como ando vendo em muitos adolescentes e crianças,causados pelo excesso de atividades), essas pessoas em formação, precisam sim, de direcionamento (senão, pra que serviriam os pais ?),mas vamos com calma, porque (no fundo) sabemos que:
"DE GRÃO EM GRÃO, A GALINHA ENCHE O PAPO"
"DEVAGAR SE VAI AO LONGE"
Para bom entendedor, meia palavra basta!
Obrigado pela atenção.
Raphael Tobias (professor que quer que seus alunos, tenham mais de quinze minutos diários para estudar o que realmente gostam, seja lá o que for, que lhes faça sentir bem e seja judicialmente legal hehehehehehehe)
terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Concurso de blogueiras
domingo, 13 de dezembro de 2009
Boa(?) noite.
Resolvi pedir conselhos para outras mães: " deixa ela chorar, só assim ela aprende a dormir", "dá chá de camomila", "deixa ela acordada durante o dia, assim ela fica bem cansada e dorme a noite inteira", "coloca uma folha de alface debaixo do travesseiro dela"... Apesar de meu instinto de mãe dizer que não era pra fazer nada daquilo, eu acabei fazendo. É lóógico que nada adiantou. Mudei horário do banho, coloquei chá na água do banho, dormi sentada com ela no sling, orei, chorei... Não sabia mais o que fazer. Eu e o Rapha estávamos exaustos!! Não imaginávamos que o pior estava por vir.
Durante o primeiro mês, Ana dormia às 21h, acordava às 3h, depois às 6h e às 8h finalmente para dar "bom dia " ao dia. Se continuasse assim 'tava' ótimo, mas...
Quando ela tinha uns dois ou três meses, eu li um livro chamado 'Soluções para noites sem choro', de Elizabeth Pantley. Gostei muito!! Recomendo. Apesar de não ajudar muito com o sono da noite, me esclareceu muito sobre as sonecas do dia. E a Ana passou a dormir muito bem durante o dia. Mas a noite... Ficava cada vez pior. A partir do segundo mês ela acordava 3, 4, 5, 6 vezes durante a noite. Quando ela não dava "baile" e ficava acordada entre uma mamada e outra... Perdi muitas vezes a paciência. Chorei muito.
Demorei (eu sei), mas passei a pensar assim: tenho que dar Graças a Deus pela Ana ser um bebê completamente saudável, por eu não ter tido nenhum problema para amamentar, pela Ana não ter cólicas, não ter refluxo, não ter assaduras, pela Ana estar crescendo super bem, engordando, se desenvolvendo lindamente... E ser mãe sempre tem suas dificuldades e cada mãe passa pelas suas. A minha dificuldade é lidar com o sono noturno da minha filha e pronto. Não vai ser pra sempre. E quando ela superar essa dificuldade, vai aparecer outra... E vai ser pra sempre assim. E eu, como mãe, vou crescer e aprender a lidar com cada dificuldade dessas junto com a minha filha.
Hoje já faz 8 meses que eu não tenho uma noite inteira de sono sem interrupções. Ainda perco a paciência (poucas vezes), mas eu e a Ana já melhoramos muito:
Hoje em dia a Ana toma seu relaxante banho de balde entre 19h e 19h30. Eu amamento e ela dorme. Fico durante algum tempo com ela dormindo em meus braços curtindo o cheirinho de bebê, a respiração profunda de sono, o carinho que ela faz eu meu peito com aquela mãozinha quentinha... Então faço a minha oração agradecendo a Deus pela felicidade que ela me dá todos os dias. Aí coloco ela no berço. Dali umas 3 ou 4 horas ela acorda pra mamar novamente. Aí, entre essa mamada e às 6h30 da manhã (que é quando ela desperta definitivamente para o dia), é um mistério. Cada noite é uma caixinha de surpresas. Às vezes ela acorda 1 vez (o que é muito raro), 2 ou 3... às vezes 4... Mas, diferente de antes, ela volta a dormir rapidamente. Antes eu demorava muito pra fazer ela adormecer...
O último conselho que eu ganhei foi: "coloque um copo com água e açúcar debaixo do berço da Ana e converse com o anjo-da-guarda dela". Não custa nada, pensei. Tive uma conversa longa com o anjinho. Uma semana depois a Ana dormiu da 1h às 6h30. E durante mais umas duas noites ela repetiu a dose. "Botei fé" no anjinho, e sempre converso bastante com ele. Confesso que, depois disso, a noite seguinte (que foi ontem) foi ruim: ela acordou umas 4 vezes...
Agora são 22h45. Vou preparar o copo com acúcar e vou ter uma conversinha com o anjo.
Vamos ver no que vai dar.
Boa noite.
ps. Hoje foi o batizado da Ana. Já ouvi falar, também, que depois que o bebê é batizado o sono dele melhora... tomara. =)
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Que tal um cineminha com seu bebê?
O programa foi um sucesso, e o encontro de mães e bebês virou uma atividade semanal dessas mães, que entre amamentação e fraldas conseguiram retomar sua vida cultural e, ao mesmo tempo, conversar sobre a experiência da maternidade.
Após alguns meses, o grupo foi acolhido pela rede de cinemas, que reconhecendo o valor desta iniciativa, lançou em agosto de 2008 a estréia oficial da 1ª sessão amigável para bebês.
Em 26 de agosto de 2008, foi fundada a Associação CineMaterna, uma empresa social, sem fins lucrativos.
CineMaterna são sessões de cinema para mães (pais e acompanhantes) com seus bebês de até 18 meses, seguidas de bate-papo em local próximo. Os filmes são para entretenimento dos adultos e as salas de cinema são cuidadas para acolher os bebês com conforto: som reduzido, trocador na sala, ar condicionado menos frio, ambiente levemente iluminado.
Agora teremos sessões de Cinematerna em Curitiba, no Cinema Unibanco Arteplex, no Shopping Crystal.
A sessão de estréia será no dia 28 de janeiro.
Se você quer participar, cadastre-se no site http://www.cinematerna.org.br/ para receber seu ingresso.
E aí, vamos?
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Preparando a papinha... Ai, que medo!!
Imagem: arquivo pessoal. Ana Clara comendo manga.
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Domingo de sol... domingo de festa!!
Além da Ana, tinha mais um bebê, de 4 meses, a Rebeca (ela já é maior que a Ana, gordinha e com umas bochechas enooormes). Quando perguntei quantos meses tinha a Rebeca, me assustei pelo tamanho dela, e logo percebi que a mãe não amamentava no peito. Conversando com a mãe, ela me contou que quando a Rebeca nasceu, ela não pegou o peito. Disse que insistiu durante 20 dias pra fazer ela mamar, mãs não conseguiu. Então é só na mamadeira. Ela até esgotou o leite dela durante um tempo, mas como não tinha estimulação, o leite diminuiu muito e, então, é só NAN mesmo. Ai... fiquei com dó dela. E do bebê.
Ahhh. Sim, o Bernardo também estava lá (primo da Ana, sobrinho do Rapha). Bernardo já está com 14 meses, andando bastante, muito esperto. Mas ontem, especialmente, estava doentinho, com gripe, só colo, colo, colo. E só serve o colo da mãe. Depois a Carina (mãe do Bernardo) levou ele no posto 24h.
A Ana ficou, inicialmente, no meu colo e no do Rapha. É muito dificil ela ficar a vontade no colo de outras pessoas que ela não conheça. Logo chora e "se atira" em meus braços. Aí, eu (uma pessoa sempre muito prevenida) que não tenho carro pra levar um carrinho de bebê, estendi uma toalha e uma canga de praia, montei um "acampamento" debaixo de uma árvore, espalhamos os brinquedos e ali ficamos. Foi ótimo.Ficamos meio longe de onde seria servido o almoço, onde estavam todos da família, mas a Ana Clara não está acostumada com um monte de gente, muito barulho... Então ficamos por ali, na grama escutando os passarinhos... Dei a papinha pra ela (couve, batata e berinjela... hummm!! que delícia), brincamos um pouco e o sono chegou... Amamentei e logo ela dormiu em meus braços. E o que mais me surpreendeu foi que ela dormiu no chão (ela nunca dorme fiora de casa sem ser no sling): o Rapha dobrou o sling e esticou no chão e coloquei ela ali e ela ficou.
Dali a pouco tivemos a compania do primo Bernardo, da Carina, do Diego e do Juca (respectivamente: mãe, pai e padrinho do Ber). E a Ana continuou dormindo!! Foi quando finalmente consegui almoçar. Quando a Ana acordou, brincou mais um pouco e resolvemos ir embora. Pegamos o ônibus, descemos na praça Tiradentes e fomos pra casa... nesse caminho a Ana dormiu novamente.
Ana Clara está crescendo , o tempo está passando e ela esá mudando. Cada dia uma conquista, cada dia mais linda e me trazendo muita felicidade. Nesse momento ela tá aqui embaixo da minha cadeira, depois de muito engatinhar, choramingando porque quer um colinho.Te amo, filha. Te amo demais.
Imagens: arquivo pessoal.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Ana Clara: famosa e cheia de graça
Quando fui fazer a segunda ecografia, quem me acompanhou foi a minha mãe. Obviamente quis gravar essa eco... Quando o médico disse: "é uma menina!! Que nome escrevo aqui?". Eu já disse: "Ana Clara!! Não, não, não... quer dizer, não sei. Não coloca nada por enquanto". Depois que a eco terminou, perguntei pra minha mãe: "e aí, que nome escolhemos? Ana Clara ou Gabriela?". E ela, muito sabida das coisas me convenceu: "Olha Isa, 'Gabriela' rima com 'Isabella', 'Daniella' (nome da prima)... Parece que foi escolhido por esse motivo. Eu escolheria Ana Clara". E assim foi decidido. Ana Clara: um nome lindo, delicado e cheio de significados graciosos.
Imagem: arquivo pessoal. Ana Clara no berço dia 16/10/2009
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Novas conquistas... e o tempo passando...
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Relato II. Desabafo...
Lendo, ainda a pouco, um relato de parto lindo, cheio de amor de uma mãe que desejava muito ter um bebê em seus braços, me senti um pouco estranha. No relato, a mãe descreve o processo lindamente, e tudo aconteceu como ela havia planejado: a bolsa estorou de madrugada, ela tomou um banho, arrumou as coisas com calma, foi para o carro com o marido, chegaram na maternidade, foram bem atendidos, o bebê nasceu, a mãe foi para o quarto junto com o bebê, amamentou e dali dois dias foram pra casa e viveram felizes pra sempre.
Que sonho!! Quando estava grávida, me aproximando do momento do parto, não fiquei tão tranquila quando eu gostaria. Porém, eu tinha uma certeza de que tudo estava sob controle, e quem controlava toda a situação era eu.
Eu imaginei assim:
Na madrugada, começaria sentir as contrações, o Rapha me ajudaria a contar os intervalos, eu iria ligar pra Cecília (minha doula), ela chegaria lá em casa e eu estaria no banho sentada na bola de fisioterapia, terminaríamos de arrumar as malas. Quando as contrações estivessem ritmadas de 5 em 5 minutos eu ligaria pro meu médico e pra minha mãe (não avisaria mais ninguém). Chegaria na maternidade, seria internada, ficaria na sala de pré-parto com o Rapha e com a Cecília, logo iria pra sala de parto, a Ana nasceria e iria direto pro meu colo pra ser amamentada. Um tempo depois O Rapha levaria a Ana pra pesar, medir, limpar... Depois eu iria pro quarto e lá estaria meus dois grandes amores (Ana e Rapha). Dias depois estaríamos em casa e seríamos felizes para sempre.
Geralmente é assim:
Quando a gestante chega na maternidade, faz o toque com um plantonista, é internada, fica sozinha naquela sala horrososa de pré-parto (onde ninguém pode entrar senão a equipe médica), fazem raspagem, lavagem intestinal, o médico entra na sala só pra escutar o coração do bebê e fazer o toque pra acompanhar a dilatação, a equipe médica só fica esperando a gestante ter dilatação total pra ir pra centro cirúrgico, daí entra o pai que 'pega o bonde andando', o bebê nasce, o pediatra mostra o bebê para a 'mãezinha' e pro 'paizinho', vai para outra sala limpar o bebê, medir, pesar, aspirar (coitado do bebê...) e só depois ele vai para o quarto encontrar a mãe para mamar...
Não foi de um jeito, nem de outro:
O final da minha gestação foi um tanto quanto conturbada: tive que trocar de plano de saúde pois não estava satisfeita com o plano antigo, mas não obtive sucesso. Tive que arcar com uma carência de 1 mês para consultas e 6 meses para o restante das coisas que o plano cobria. Enfim: não adiantou quase nada. Permaneci com o mesmo obstetra e com a mesma maternidade do plano antigo.
Com 39 semanas e 6 dias, fui numa consulta com uma outra obstetra (fora do meu plano de saúde) que me examinou, disse que eu estava com 4 de dilatação, que eu já estava em trabalho de parto e me sugeriu ir para a maternidade. Chegando lá fui super mal atendida, ninguém ligou para o plano de parto que eu havia feito com tanto carinho... Chorei, chorei muito. Minha mãe estava comigo e, tentando me ajudar, disse: "agora não é hora de brigar, faça como eles querem...". Nããão!! Minha doula tinha que ficar comigo!! Era meu direito!! Aliás: todas as gestantes brasileiras têm direito a um acompanhante da sua escolha durante o trabalho de parto, parto e pós-parto. Depois de muito chorar e lutar pelos meus direitos, minha doula, o Rapha e o Dr. Flávio (meu obstetra) chegaram. Segundo a plantonista que me examinou disse que eu teria que ser internada naquele momento. Mas eu não queria ser internada ainda: minha dilatação estava de 5 pra 6, mas não sentia nenhuma dor durante as contrações e a bolsa não tinha estourado... Apesar de tudo, eu ainda estava me sentindo bem e queria poder ficar o máximo de tempo com a minha mãe, com o Rapha e com a Cecília, todos juntos! Como meu plano só cobria enfermaria (quarto coletivo), resolvi pagar uma diária por uma suíte e poder ter todos comigo durante um tempo, e, depois que a Ana nascesse, o Rapha poderia ficar comigo no quarto sem problemas. Chegando todos no quarto, o Dr. Flávio fez o exame de toque e a bolsa estourou. Fomos, Cecília e eu para a sala de pré-parto. Uma sala pequena, fria, com dois leitos, paredes brancas com um relógio pendurado. Havia uma bola de fisioterapia: passei a maior parte do TP sentada nela, fazendo movimentos que aliviavam um pouco da dor e recebendo massagens da Cecília. De tempos em tempos o Dr. Flávio entrava pra fazer o toque e escutar os batimentos cardíacos da Ana. Cecília foi um anjo, se não fosse ela, não sei o que teria sido do meu parto. Já o meu obstetra... Quando ele pedia pra eu fazer força e eu não queria, a gente "brigava"... o Rapha disse que me escutava lá da sala de espera eu dizendo que não queria fazer força... Fiquei com dilatação total um bom tempo e a Ana tava bem 'alta', as contrações foram ficando muito fracas e eu acabei aceitando a ocitocina. Fomos pro centro cirúrgico, O Rapha chegou. Não me deram opção deposição senão ficar deitada, felizmente não foi uma posição incômoda, mas gostaria de ter tido mais liberdade pra procurar a melhor posição para parir. Logo que aplicaram a ocitocina as contrações ficaram bem fortes fazendo com que eu tivesse mais força pra fazer a Ana nascer. Cecília e Rapha seguravam a minha cabeça e outras duas enfermeiras empurravam a minha barriga para fazer a Ana sair. O que me deixa chateada é que nessas horas ninguém conversa com a gestante, simplesmente a equipe médica vai fazendo o que o médico manda fazer e pronto. Nenhum sorriso, nenhuma palavra para deixar a parturiente mais tranquila, mais calma... Só falavam pra eu não gritar quando fizesse força. E só. Nada mais. Tentei me concentrar e só pensar que a Ana estaria em meus braços em poucos minutos. E era isso que me dava mais força para fazer ela nascer.
Quando a Ana nasceu foi aquela correria, não sei até hoje como tudo aconteceu naquele momento. A pediatra pegou minha filha, mostrou pra mim e pro Rapha durante 2 segundos e saiu correndo. Ana aspirou mecônio, foi entubada na mesma hora. A pediatra voltou tempos depois e explicou tudo com 'calma' pra nós, mas no momento lembro de não ter entendido absolutamente nada do que ela disse, só que minha filha estava na UTI e eu não poderia vê-la. Eu senti que minha filha estava bem, e por mais incrível que possa parecer, eu não fiquei preocupada. Triste, sim. Em prantos.
Todos foram embora e me deixaram deitada sozinha, no escuro no centro cirúrgico. Ninguém me explicou nada, quanto tempo eu ficaria ali e porquê eu tinha que ficar sozinha. Acho que fiquei ali durante uma hora. Ouvia duas enfermeiras conversando lá longe, pela fresta da porta eu enxergava uma delas de costas, sentada numa mesa. Vomitei, acho que pelo esforço durante o parto. Chamei a enfermeira, ela demorou pra vir. Ela limpou um pouco da sujeira que eu fiz e saiu. Depois de uma eternidade fui levada ao quarto ainda meio tonta e sem saber o que pensar. Dormi do jeito que estava mesmo. O Rapha passou a noite no quarto comigo e dormiu no sofá que tinha na sala de estar da suíte. Acordei algumas vezes durante a noite. Tive pesadelos. Quando despertei, tomei banho, tomei café. Eram 7h da manhã e o Rapha ficou como uma 'barata tonta' no hospital perguntando quando é que poderíamos ver nossa filha. Cada um dizia uma coisa diferente. Ficamos até 11h da manhã nessa luta, que foi quando finalmente pudemos ver e tocar naquele ser mais querido e amado do mundo. Minha filha: simplesmente linda, perfeita com seus dedinhos longos, o nariz redondinho e arrebitado, uma boquinha de grandes lábios e os maravilhosos olhos de jabuticaba. Ela já não estava mais entubada. Porém, envolta de fios de monitoramento, tubos e acessos. Chorei. E muito. Passei dois dias chorando, sem parar. Entrei em depressão. A psicóloga do hospital tentou me ajudar, assim como o Rapha, os familiares e amigos. Mas nada adiantava.
- No quarto, tive a compania de uma mãe que fez uma cesárea eletiva (com medo da dor).
- Conheci uma mãe da UTI Neo que estava há 3 semanas com seu bebê aos cuidados das enfermeiras e pediatras.
- Não fiz amizade com nenhuma enfermeira, aliás nem conversava muito com elas. Me passavam uma frieza no coração, um tanto quanto antipáticas, nenhum sorriso, nenhuma palavra de afeto, carinho... Nem 'Bom dia! A sua filha está bem, que bom que você tá aqui." Parece que não fazem questão nenhuma de entender um 'tiquinho' a situação que cada mãe está passando ali. Bom... talvez faça parte do trabalho delas não se envolver, só cuidar dos bebês e pronto.
- Ana Clara teve icterícia. Ficou 5 dias em fototerapia.
- Não fazia a mínima questão de visitas, mas a família (já viu, né?!) não aguentou de curiosidade. Tudo bem.
- Não tirei fotos.
Entre tantas outras coisas que aconteceram que eu poderia escrever um livro. Mas... os dias se passaram, e a Ana tá crescendo linda e se desenvolvendo maravilhosamente bem. (Meu Deus... como minha filha é linda!!)
Mas ainda não superei o ocorrido. Choro muito (muito mesmo) quando lembro disso, fica um nó na minha garganta e um aperto forte no coração. Tenho certeza que nunca vou esquecer (e nem quero). Mas espero poder contar essa história pra Ana mas sem lágrimas nos olhos.
Imagem: arquivo pessoal. Foto de Daniel Isolani. Ana Clara quase chorando no colo da dinda e a prima tentando consolá-la.segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Colo de mãe... Carinho de pai...
Confesso que me sinto bem, muito bem quando isso acontece, pois sei que, por ela parar de chorar na mesma hora, quer dizer que ela não tá doente, não tem nada doendo, não tá machucada... Ela quer o meu colo, o meu cheiro, o meu calor e pronto! Mas, ao mesmo tempo fico triste, muito triste pelo Rapha, ele passa a Ana pro meu colo com um olhar magoado, infeliz por não conseguir fazer ela parar de chorar. Mas isso não faz dele 'menos' pai. Pelo contrário...
quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Blogagem Coletiva: Bater em criança é covardia!
O coordenador no Brasil do Programa de Cidadania Adolescente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Mario Volpi, acredita que os castigos físicos são uma forma de violência doméstica. “O castigo físico, mesmo em pequena escala, gera impactos negativos na autoestima e na autonomia da criança”, diz. Para ele, a solução está no diálogo. “O discurso de que bater é necessário é egoísta, já que faz bem apenas para o adulto, que não precisa dedicar muito mais tempo e esforço conversando com a criança. Batendo, ele acha uma solução muito mais rápida e falsamente eficaz”, completa.
Outra organização que atesta os malefícios dos castigos físicos para os pequenos é a organização não governamental sueca Save the Children. De acordo com a oficial para a América Latina e o Caribe da entidade, Márcia Oliveira, a medida pode transmitir mensagens de violência. “Qualquer tipo de atitude violenta transmite uma mensagem errada. Quando a criança vê os pais resolvendo as questões com um tapa ou uma chinelada, ela entende que essa é uma maneira válida de lidar com conflitos e carrega isso para outras áreas de vida”, explica.
Márcia lembra ainda que, em alguns casos, o uso da força pode diminuir a criatividade e a curiosidade das crianças. “Explorar o desconhecido é muito importante para o desenvolvimento social e motor de qualquer criança. Se ela fica curiosa, mexe em algo que não deve e acaba apanhando por isso, logo se sentirá desestimulada a pesquisar e descobrir o novo, pois teme apanhar novamente. Isso é uma forma de impedir o desenvolvimento pleno”, analisa.
Mesmo concordando que o método pode trazer prejuízos, muitos pais acreditam que, eventualmente, um tapa pode ser saudável. Essa é a opinião de Cássia Pacheco, mãe de Victória, 10 anos, e Augusto, 7. Ela acredita que em alguma situações a palmada pode servir para que os filhos percebam a gravidade de seus atos. “Eventualmente, eu acredito que ela tem o seu lugar. O que as pessoas precisam ter em mente é que há certos limites”, afirma a mãe.
Para ela o limite é o primeiro tapa. “Se você passa para a segunda ou a terceira palmada, é porque já está extrapolando. É preciso lembrar que você está educando e não descontando a raiva na criança”, diz Cássia, garantindo que só recorre a esse método quando já tentou resolver o problema através do diálogo. “Quando eles me deixam muito nervosa, peço que nem cheguem perto, para evitar que eu perca a cabeça e extrapole”, completa.
Marcas psicológicas
A assistente social Ludimila de Ávila Pacheco e a promotora de Justiça de Defesa da Infância e da Juventude do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Leslie Marques de Carvalho, engrossam o time de especialistas que condenam os castigos físicos. “Eles nem sempre deixam marcas no corpo, mas, sem dúvida, deixam marcas psicológicas na pessoa. Essas marcas podem se manifestar de várias maneiras, tanto na infância e adolescência, quanto na fase adulta”, aponta a assistente social.
Segundo a promotora da infância, existem várias formas de manifestação desses prejuízos. Em alguns casos, os castigos formam indivíduos que estabelecem relações conflituosas com a sociedade. “Essas relações podem ser a delinquência, o transtorno mental e alguns tipos de compulsividade — como o uso de drogas. Em outros, as manifestações voltam-se principalmente para o próprio indivíduo, como a baixa estima, a excessiva passividade e a timidez exagerada”, explica Leslie.
Para elas, a grande falha desse modelo está no fato de que ele não proporciona a construção da capacidade de sentir culpa. “A criança não aprende a se responsabilizar pelos próprios atos, pois este aprendizado pressupõe que o indivíduo possa vivenciar a experiência de ter provocado um dano e, a partir daí, sinta a necessidade e as possibilidades de repará-lo”, completa a promotora.
Marina Praia, mãe de João, 6 anos, concorda com as especialistas e diz que a palmada deve ser evitada. Segundo ela, é necessário ter em mente a diferença entre o adulto e a criança. “Nós não podemos esquecer que somos muito mais fortes que eles. Dependendo da situação, bater pode ser uma covardia”, diz. Sobre o filho, ela afirma que nunca precisou usar esse recurso. “Desde pequeno eu sempre procurei conversar e explicar. Talvez até por isso ele seja tão calmo. Nunca precisei bater e espero nunca precisar.”
“O discurso de que bater é necessário é egoísta, já que faz bem apenas para o adulto, que não precisa dedicar muito mais tempo e esforço conversando com a criança”
Mario Volpi, coordenador no Brasil do Programa de Cidadania Adolescente do Unicef
domingo, 15 de novembro de 2009
"O nosso Cordão Dourado... que passa por todo lado..."
Ontem, dia 14/11/2009, fui num encontro chamado “Portas Abertas”, promovido para quem quisesse conhecer um pouco mais sobre o ritmo da Educação Infantil Waldorf, com uma vivência do ambiente e metodologia da escola Cordão Dourado.
O encontro era das 8h às 12h, então tive que levar a Ana junto... Fiquei um tanto quanto receosa com o comportamento dela, ela vive gritando aqui em casa e achei que ela pudesse ficar meio agitada lá também. Quando chegamos lá, a Ana já estava com muito sono e logo dormiu enrolada no nosso querido indispensável sling wrap. Haviam apenas 6 pessoas: eu, outras 3 mães e um casal de namorados interessados na pedagogia, além da diretora e duas professoras da escola.
Sentamos numa mesinha (adaptada para as crianças) e cada um deveria fazer um desenho com os gizes feitos de cera de abelha. Depois a diretora da escola mostrou uns desenhos, feitos por alunos, para explicar o desenvolvimento psicomotor da criança. Nessa escola, salvo algumas pouquíssimas vezes, as professoras não sugerem temas para os desenhos, é sempre livre: assim o desenho reflete muitos aspectos da criança, servindo de ferramenta para identificar em que fase o aluno se encontra. As turmas não são separadas por idade, e sim pela fase de desenvolvimento psicomotor de cada uma.
Depois dos desenhos, fomos “fazer o lanche”: pão sueco. Cada um recebeu um pedaço da massa, já pronta, e deveria esticar com um rolo até ficar bem fininha. Cada pedaço esticado recebeu seu lugar na forma e foram para o forno. Enquanto esperamos assar o pão, fomos conhecer os espaços de brincar (dentro da escola) e os brinquedos: bonecas waldorf, os carrinhos de madeira, bolas de lã... Nada de plástico. Nada muito cheio de cor. Deixou-se claro que os brinquedos devem passar uma ‘verdade’; o plástico é frio e leve, não tem peso como a madeira, não tem o calor da lã. As bonecas waldorf não apresentam expressão de felicidade nem de tristeza, assim a criança se sente à vontade de explorar os sentimentos da boneca em suas brincadeiras. Se a boneca já vem tem um sorriso estampado no rosto (como é o caso de várias bonecas de plástico que achamos nas lojas de brinquedos) e quando a criança “brinca que a boneca está triste”, não existe verdade naquilo que ela está fazendo. Os brinquedos são oferecidos aos alunos e estes ficam à vontade para explorar o que quiserem da maneira que quiserem, junto com o colega ou sozinho. A brincadeira é, assim como o desenho, sempre livre para a criança expressar e explorar os objetos e o espaço à vontade. Quando se deve passar à outra atividade, as crianças guardam os brinquedos, sempre “conduzidas” por uma música cantada pela professora.
Depois do conhecimento dos brinquedos da escola, fomos fazer a roda: uma atividade de história, música e movimento corporal. A professora conta uma história usando os movimentos do corpo e intercala entre a fala e o canto. Os movimentos, assim como os brinquedos, devem representar a verdade: “Se represento a ‘árvore’, não vou sair saltitando e mexendo os braços, pois árvores não pulam.” Afirma a professora Sara. “E não pedimos para as crianças imitarem cada movimento que fazemos, isso acontece naturalmente” disse a diretora Margarete.
Enquanto acontecia essa atividade, eu e a Ana não participamos: ela havia acordado e estava na “hora do papá”. Sentamos no chão, ao lado da roda, e fui dando a papinha de mamão enquanto a professora contava a história. A Ana não tirou os olhos da professora, que cantava e balançava os braços no alto representando “uma árvore que balança com o vento”.
Depois foi a hora do lanche. Fomos comer o pão sueco. Antes de comer é feito um agradecimento. O pão estava uma delícia!! Foi um momento muito gostoso: as professoras contaram vários fatos que acontecem entre as crianças nesse momento. A Ana ficou bem comportada no meu colo batendo com as mãozinhas na mesa.
Depois fomos conhecer o espaço aberto: um quintal lindo, com brinquedos de madeira, caixotes, cavalinhos entre vários outros que ficam à disposição dos alunos que correm e brincam livremente entre as árvores com balanços, na areia e na terra. Quando é hora de entrar, as professoras conduzem os alunos com uma música para guardar os objetos usados, formam um “trem” para entrarem, lavarem as mãos e entram para ouvir uma história. A professora Cassandra acendeu uma vela (que ficava numa mesinha no meio da roda de cadeirinhas) usou um “kântele” para cantar e contar a história. Quando a história acabou, conversamos durante uma meia hora sobre tudo que vimos na escola.
domingo, 8 de novembro de 2009
Bebês voam !!!!!
É bem estranho para algumas pessoas verem um homem escrevendo e falando sobre isso (e não sou um cara do tipo sensível !!) mas apenas acredito que se os adultos perdem a capacidade de voar, não acho necessário que as crianças percam também, mesmo que esse voo aconteça à apenas alguns centímetros do chão e não seja exatamente um voo solo.
Raphael Tobias
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Aninha de mêsversário!!
Agora as mudanças são mais intensas, parece que ela tem se desenvolvido com mais rapidez, cada dia um descoberta... Que delícia!!! Há alguns dias começei a introdução de alimentos... Minha mãe achou o máximo: saiu mostrando para várias colegas do trabalho o vídeo que a gente fez da Ana comendo banana... Além disso, a Ana consegue se virar com muita facilidade e sai rolando pelo chão da sala... Se coloco ela sentada, ela já apóia uma mão para não cair... Quando ela não consegue voltar para a posição "sentada", ela fica de bruço e já dá indícios de que vai sair engatinhando logo logo. Mas, quando não se apóia com uma das mãos e nem fica de bruço, ela acaba dando umas cabeçadas no chão (tadinha...). Agora a Ana já tem suas preferências: se coloco alguns objetos na frente dela, ela não pega necessariamente o mais próximo, mas sim o que ela mais gosta. E se este estiver longe do seu alcance, ela faz suas manobras para alcançar o tal objeto. E assim nós vamos aprendendo, eu e ela, com todas essas mudanças...
Mas ontem eu e o Rapha ficamos "sentidos" com uma das mudanças da Ana Clara: praticamos "co-slipping" (quando o bebê dorme no mesmo quarto dos pais). O berço dela estava sem uma das grades e ficava encostado na nossa cama. Existia um pequeno desnível entre os dois (o colchão do berço era um pouco mais baixo do que a nossa cama), e, até então, ela não conseguia rolar do berço pra cama. Mas ontem ela conseguiu e nos vimos obrigados a colocar a grade do berço. Ai que tristeza... o primeiro sentimento de separação aflorou em nós... Foi tão estranho acordar a noite e não poder simplesmente esticar o braço e acarinhá-la para dormir novamente, não conseguir enxergá-la sem ter que me levantar... Era tão gostoso quando ela acordava de manhã, esticava aqueles bracinhos cheios de dobrinhas e me cutucava para me acordar...
Ai ai ai... "Como passa rápido!!!". Escutei muito isso e agora estou sentindo na pele!! Já foi o tempo que ela demorava 45minutos mamando, o tempo em que a língua dela era branquinha de leite, quando nós tínhamos que segurar a cabeçinha dela para dar o banho, quando dava pra largar ela sozinha no meio da cama com os brinquedos enquanto eu preparava o café, quando nem cogitávamos a idéia de dar papinha pra ela, quando ela mal conseguia virar a cabeça pra acompanhar o movimento de alguém, quando ela não tinha força nem coordenação pra segurar objetos, quando eu conseguia cortar as unhas dela sem choradeira... ai ai ai... tanta coisa já se passou... e só foram 7 meses... o que mais vem por aí?
Que difícil ser mãe e pai nessas horas, ver nossos pequenos crescerem tão rápido... E eu achando que a dificuldade de ser mãe e pai era não ter uma noite inteira de sono, ou ter que me adaptar aos horários das sonecas, ou ter que almoçar um pouco mais rápido pra poder amamentar, ou ter que arranjar alguém para cuidar dela enquanto eu saio, ou não poder mais dar uma saídinha a noite pra tomar uma cerveja e namorar um pouco, ou ter que aguentar as choradeiras de sono... Enfim. É muito mais. muito além disso. Mas é muito bom.
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Eu tento fazer a minha parte.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
"Pressa... muita pressa nessa hora..."
Ana Clara completou 6 meses há exatos 20 dias e eu ainda não comecei a introdução de alimentos sólidos... Li muito sobre o assunto, e me identifiquei bastante com um texto de uma amiga minha - Dicas para iniciar a alimentação do bebê. Ela diz que devemos "olhar mais para a criança e menos para o relógio": lógico!! Cada pessoa é diferente da outra, porque que com os bebês seria diferente? Por que que no "mêsversário" de 6 meses de todo bebê devemos dar a primeira papinha? Isso quando já não se introduziu alimentos antes disso (o que acontece com muita freqüência...). Por que a pressa?
Eu sinto muitas mães super inseguras e que jamais questionariam o que o pediatra de seu filho falar. Sinto que muitas mães tem pressa que seu filho comece logo a comer, a engatinhar, a andar a falar...
Aliás: a pressa começa antes disso: na gravidez. Se, com 13 semanas de gravidez, a gestante faz uma ecografia e não consegue ver o sexo do bebê, ela já fica desesperada: “Meu Deus? Não vai dar tempo de preparar o enxoval do bebê!!” E quando a gestante chega às 40 semanas, o ginecologista obstetra já marca uma cesárea pois “o bebê já está pronto pra sair”.
Neste fim de semana encontrei uma grávida e perguntei: “Tá de quantas semanas?” e ela respondeu: “Ai ai... não sei te dizer exatamente, mas sei que até dia 10 ele nasce!”. Como ela sabe? Certamente o médico dela disse que a DPP seria dia 10 de novembro, mas como já diz a sigla DPP: data provável do parto. Provável, e não exata. Pode ser antes ou depois disso. Depois? Sim!! A DPP é marcada com 40 semanas, mas a gestação pode durar até 42 semanas. Mas hoje em dia, qual grávida espera mais que 40 semanas? Se até essa data ela não tiver entrado em TP (trabalho de parto), é marcada uma cesárea na certa!! (isso se ela já não tiver marcado mesmo sem ter entrado em TP). Pressa, pressa, pressa... Por quê?
E depois que nasce? O bebê já deve ser “adestrado” a ser independente!! (“adestrado” pode ter sido um termo muito forte, mas muitas vezes é isso que eu acho que algumas mães fazem). Os pais aplicam técnicas para ensinar o bebê a dormir sozinho, no seu berço, longe dos deles, sem muito colo “senão acostuma mal o bebê!!” E se o bebê não dorme a noite inteira já no segundo ou terceiro mês, muitos “apelam” para chás calmantes e até remédios!!
E a amamentação exclusiva até os seis meses? Vejo que algumas mães, com as quais converso, se sentem vitoriosas por conseguirem amamentar exclusivamente até aos seis meses. Desculpa aí, mas, salvo alguns problemas de amamentação e outros poucos motivos, acho que não fazemos mais do que a nossa obrigação. É sim obrigação de mãe prezar pela saúde do filho, não é? E alimentar um bebê antes dos seis meses sem ser com o leite materno é descuido com seu filho!! O sistema digestivo do bebê não está pronto pra receber comida antes disso. Mas se a mãe o faz... No entanto, muitas vezes também não é culpa da mãe. Tem pediatra que desmama, diz que com quatro meses já deve-se introduzir papinhas, aí as mães “vão na onda”. E alguém vai discutir com o médico? Pois é, as mães que estudam, que lêem e que acreditam que elas sabem mais do seu filho do que o pediatra, talvez questionariam o médico... outras simplesmente não dizem nada e certamente vão procurar um profissional melhor.
Mas e as mães que não tiveram estudo? Que não tem acesso à internet? Infelizmente essas dizem “amém” a tudo que o pediatra diz. E vai da sorte dela encontrar um bom profissional no posto de saúde. Infelizmente...
Hoje mesmo fui no “Programa Mãe Curitibana” pra conversar sobre a questão da introdução da alimentação sólida... A profissional que me atendeu disse que eu já tenho que começar a dar todas as refeições do dia pra minha filha: “café da manhã (uma fruta), almoço (uns três ou quatro alimentos de cores diferentes) e de sobremesa um suco, no meio da tarde outra fruta. Entre as refeições pode amamentar, mas o leite materno já não é mais a base da alimentação do bebê.” Sem comentários...
E os estímulos? Bebês e as crianças são envoltas de estímulos e mais estímulos: cores, músicas, desenhos, televisão, computador, milhões de atividades extras curriculares. Pra quê? Olha aí a pressa novamente...
Ter que lutar pelo que acho certo, indo contra o que diz toda uma sociedade atual que vive com pressa de tudo, é muito difícil.
Me sinto em sintonia com minha filha desde que ela estava na minha barriga. E isso vai muito além das conversas que tinha com ela na gestação e das músicas que colocava pra ela ouvir... Estar em sintonia é ... sentir, amar cada instante, viver intensamente o amor de estar com seu filho. Deixar a vida fluir naturalmente: e tudo em seu tempo. É preciso ter MUITA paciência, calma e principalmente: respeito. Profissão de mãe é difícil!! Ninguém nunca disse que era fácil.
sábado, 24 de outubro de 2009
Até amanhã. Se a Ana deixar...
Vou tentar escrever amanhã.
Estou feliz.
Até amanhã.
ps. o Rapha tá me devendo um texto sobre "andar com carrinho de bebê nas calçadas de Curitiba"...
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
A fórmula mágica.
Ela não tem nada: nem sono. Ou melhor, acho que ela tem MUITO sono e tem uma briga eterna com ele... toda vez que faço ela dormir eu repito várias vezes: "Ana Clara, não precisa brigar com o sono, ele é seu amigo..."
Quando eu estava grávida, eu ouvi muito: "aproveita pra dormir agora , porque depois...".
Eu sempre achei que não iria mais dormir por preocupação, acordaria pra ver se o bebê está bem... Mas não: quem me acorda é a Ana, toda noite várias vezes... São quase 6 meses sem nenhuma noite inteira de sono... Tudo bem... Agora pouco, conversando com uma amiga que tem dois filhos disse que já faz quase 4 anos sem dormir uma noite inteira... (Ai que medo!!)
Porém, com quase todas minhas amigas-mães a situação foi diferente:
- "a minha filha dorme a noite inteira desde o primeiro mês..."
- "o meu filho sempre dormiu bem, não tenho do que reclamar, desde do segundo mês dorme a noite inteira!!"
- " a minha filha dorme super bem... e desde que saiu da maternidade dorme sozinha..."
Dorme sozinho? Sem embalar, sem precisar ninar? Pois é... juro que às vezes acho que é mentira... Depois descobri que esses são casos raros...
Eu não posso reclamar: a Ana é um bebê super saudável, mama bem, está crescendo, é linda!! Posso contar nos dedos de uma mão quantas vezes a Ana teve cólica... Refluxo? nem sei o que é isso. Mas o sono... Li de tudo um pouco, ou melhor, muito. Existem remédios, florais, calmantes, diferentes técnicas para o bebê dormir, mas eu optei pela fórmula mágica: paciência. Ser mãe é ser paciente. Ter calma e ter respeito pelo tempo de desenvolvimento do bebê. E mais: observar atentamente seu filho e tentar uma sintonia com ele, observar seu crescimento e descobertas a cada dia!!
Isso tudo é muito lindo, mas... e quando a fórmula mágica da paciência acaba? o que a gente faz? Quando posso peço ajuda para o pai, avó, dinda e vou tomar um copo d'água, um chá, às vezes um banho, respirar fundo e voltar ao trabalho de mãe. E quando fico sozinha, algumas vezes aconteceu de eu deixar ela no berço chorando e ficar do lado dela chorando junto. Ou... como agora: estou sozinha em casa e a Ana tá enrolada no portage, bem quentinha no meu colo dormindo depois de 1h de briga com o sono (nesse caso tive que tomar uma dose extra de paciência, porque ela tá passando por um pico de crescimento - mais colo, mais carinho, mais amamentação, mais dificuldade pra dormir...)
Com o tempo a fórmula mágica fica mais forte e dura mais tempo... E nós, mães, vamos aprendendo, cada dia mais, lidar melhor com essas situações...
Ser mãe é a profissão mais difícil, mas é a mais gratificante. Ser mãe é viver no limite: da paciência, do cansaço... Ser mãe é aprender a lidar com esses limites e se superar todos os dias. Amo ser mãe.
quinta-feira, 24 de setembro de 2009
Relato.
Fomos pra casa da minha mãe almoçar. Quando contei, ela ficou uma “pilha”! Almoçamos (Rapha, eu, minha mãe e logo depois meu irmão, o Daniel). Fomos, Rapha e eu, pra casa (“sede” da Treze de Maio). Terminei de arrumar minha mala e a da Ana Clara. Esperei a minha mãe e fui pro hospital. O Rapha foi dar aula.
Chegando na Maternidade Milton Muricy, esperei a consulta durante meia hora. Fui atendida às 17h35. A plantonista fez o toque: dilatação de 5 pra 6. Ela disse que eu teria que ser internada naquele momento. Mostrei meu plano de parto pra ela. Foi quando meu mundo começou a desabar. “O hospital não tem estrutura para receber uma doula no pré-parto durante o TP, mas nós vamos estar lá, você não vai ficar sozinha.”. E eu lá queria um “bando de gente” que eu nunca vi na vida pra me acompanhar num dos momentos mais importantes da minha vida??
Depois de chorar muito e deixar minha mãe mais nervosa ainda, burlamos um pouco as regras, pagamos por um quarto individual (pois meu convênio médico só cobre quarto coletivo) e a Cecília (minha doula), minha mãe e o Rapha puderam me acompanhar. Porém... chegando no quarto, o Dr. Flávio fez o toque (19h40)e a bolsa estorou. Dilatação: de 6 pra 7. Ele pediu uma maca pra me levarem à sala de pré-parto. Com o nervosismo do momento, não tinha mais forças pra brigar e ficar o TP no quarto. Pelo menos o Dr. Flávio permitiu que a Titi me acompanhasse. Na sala tinha uma bola, chuveiro e dois leitos. Tive que trocar a roupa e colocar aquele avental horroroso aberto nas costas. Na sala ficamos só eu e a minha doula querida. Até então minhas contrações eram fracas (e eu não sentia dor alguma) com duração de 30 a 40 segundos e intervalos variados de 3, 5 e 7 minutos. Fiquei na bola “curtindo” minhas contrações e olhando o relógio. 20h20 o Dr. Flávio foi ver a quantas andava minha dilatação e os batimentos cardíacos do bebê. Tudo certo: 7 de dilatação. Comecei a me sentir um pouco fraca. A Titi me deu Gatorade (escondido) e fui tomar um banho. Eram 20h45, “visita” do Flávio mais uma vez. A partir de então, passei a não prestam mais muita atenção no relógio, não contei mais os segundos de contrações nem o intervalo entre elas. Comecei a sentir dor e a Titi sempre massageando as minhas costas (Que alívio!!). Cada vez que o Flávio me analisava ele já me pedia pra fazer força. Às vezes eu fazia, às vezes não (aí ele “brigava” comigo). Eu intercalava entre a bola e abraços fortes na Titi em cada contração. A dor e as contrações passaram a ficar mais intensas. Cheguei a 10 de dilatação e Ana Clara não estava bem encaixada. Comecei a ter que fazer mais força. Às 23h10 fomos, Flávio, Titi e eu para o centro cirúrgico. Logo o Rapha estava lá também. De repente estavam lá mais duas enfermeiras “em cima” da minha barriga empurrando a Ana Clara para ela sair. Eu já não sentia mais dor, mas muito calor. Porém, as contrações estavam fracas e duravam muito pouco tempo. Aceitei a ocitocina. Muito rapidamente senti o efeito e as contrações ficaram fortes e eu conseguia fazer força pra ela sair. O Rapha e a Titi seguravam a minha cabeça e meu pescoço enquanto eu fazia força. Só passando por isso é que passamos a acreditar mais em nós mesmas: não imaginava que eu pudesse ter tanta força quanto eu tive naquele momento. Eu só conseguia imaginar o calor da minha filha em meus braços e meu batimentos cardíacos diminuindo ao sentir aqueles dedos minúsculos tocando meu peito... Como se não bastasse a força física que eu jamais imaginei ter, precisei provar que tinha uma força emocional além do normal... Pois nada do que eu imaginei aconteceu:
Ana Clara nasceu às 23h40.
O Dr. Flávio cortou o cordão. A pediatra Marieli mostrou a Ana Clara em seus braços e saiu correndo para a Unidade de Tratamento Intensivo – UTI.
Não consigo explicar meu sentimento naquele momento. Um vazio imenso, medo, insegurança e mistério. O que havia acontecido com a minha filha?
Ana Clara nasceu com duas voltas de cordão e aspirou mecônio no momento do parto. Foi entubada na mesma hora e teve falta de oxigenação no cérebro por alguns instantes. Dr. Flávio ‘tentou’ explicar o motivo da aspiração meconial (pois não existe explicação pra tal acontecimento), mas não lembro o que ele disse. Só consegui ver a minha filha às 11h da manhã seguinte – terça-feira, dia 07 de abril. Ela ficou uma semana na UTI Neonatal. Entrei em depressão. Durante essa semana a psicóloga do hospital veio conversar comigo. Não gostei muito dela. Ela chegou no meu quarto terça-feira a noite e disse: “Vim aqui conversar, pois você foi a primeira gestante a trazer uma doula para o trabalho de parto. Também sou adepta ao parto humanizado, mas sabe como é, né?! essas coisas são difíceis... Difícil mudar todo um sistema que caminha com o pensamento de que cesárea é mais seguro, não tem dor e tal... Nós temos projetos, palestras aqui no hospital sempre sugerindo esse tipo de parto...”. Vou confessar que não engoli muito aquela história, mas em todo caso, ela foi a pessoa que me ouviu com mais atenção num momento triste em que eu estava sozinha naquele quarto frio da maternidade. Aliás, ela disse uma coisa bem interessante, (que, toda vez que fico irritada com a choredeira da Ana, eu lembro disso): a diferença entre o parto idealizado e o parto real, do bebê ideal e o bebê real. E refletir sobre isso.
Só pude ter minha filha em meus braços na quinta-feira dia 9, e a partir daí comecei amamentá-la no seio, pois até então ela estava no soro e monitorada 24h. Esgotava o leite a cada 3h (para aquelas enfermeiras - sem coração - amamentarem minha filha com o MEU LEITE nas horas que eu não estava), quando não estava tomando banho pra dar uma aliviada, pois eu tinha muito leite e ficava tudo empredado: quase morri de tanta dor. Depois que recebi alta, sexta-feira dia 10, fui pra casa da minha mãe. Nos outros dias, chegava às 9h da manhã na maternidade e só ia embora às 19h30. Foi a semana mais longa da minha vida. Segunda-feira, dia 13 de abril, Ana Clara recebeu alta e saiu no sling coberta de olhares curiosos e cheio de preconceitos.
Ainda não superei esse ocorrido... Penso nisso todos os dias. Graças a Deus, Ana é um bebê lindo e muito saudável. Mas tenho esperança de um dia ainda saber a causa da aspiração de mecônio.
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Neuf mois au paradis...
Dia 29 de setembro de 2008, numa tarde linda de sol quando fui fazer a primeira eco... ui ui ui... que nervoso. Passarm duas coisas na minha cabeça antes daquela mulher antipática colocar aquele gel gelado na minha barriga: será que realmente tem um neném aí? será que não é tudo invenção da minha cabeça? ou será que tem dois?? gêmeos??... O Rapha segurava a minha mão suada e meu coração batia a mil por hora. Naquela tela de plasma pendurada na parede do consultório, o bebê parecia enorme, mas com seus apenas 5 cm e 11 semanas de gestação já estava completamente formado - dava pra ver os braços, as pernas e a coluna com nitidez. Saí do laboratório me sentindo... nas nuvens (clichê e romântico - mas era assim mesmo que eu me sentia).
Dias depois falei com a Cecília (a Titi querida linda maravilhosa que veio a ser a minha doula...) e ela me levou num encontro de mães (GestaCuritiba), e foi o que mudou a minha vida!! Não sei o que seria de mim se essas mulheres não tivessem cruzado o meu caminho:
Cecília Veloso - minha doula queridíssima, obrigada por tudo.
Patrícia Bortolotto e Felícitas Kemmsies - sou fã de carteirinha de vocês. Mães lindas, mamíferas especiais que fazem um trabalho maravilhoso reunindo outras mães e esclarecendo suas dúvidas com carinho e muita atenção. Obrigada pelos abraços calorosos em todo encontro do Gesta.
Luciana Lima - Me tornei sua fã quando a vi pela primeira vez no encontro e apresentando o portage. Obrigada pela oportunidade de poder trabalhar num espaço tão lindo que é a AOBÄ.
Me sinto uma mulher privilegiadíssima por ter conhecido essas mulheres-mães tão especiais.
Há um tempo (no ano de 2007), eu tinha consultas com uma analista que, quando "me dei alta", nessa última consulta ela me fez uma pergunta que nunca mais esqueci: "Isabella: quantas coisas você faz única e exclusivamente pra você?". Naquele momento a resposta era: "nada além daquelas consultas semanais". Percebi que eu não tinha um momento diário na minha vida de relaxamento, reflexão e de viver exclusivamente pra mim.
Um belo dia (durante a minha gestação), minha cunhada me entregou um folheto: "Yoga Tibetana". No mesmo dia, liguei pra tal AEF (Associação de Estudos Filosóficos) que promovia aulas verbais e práticas de filosofia e a yoga tibetana, de segunda a sábado, com horários flexíveis (detalhe: por apenas R$30,oo por mês.).Ótimo!! Fui lá no mesmo dia. A yoga mudou minha vida!! Me fez sentir de bem com a vida, ter muuuuito mais calma, atenção, reflexão, em sintonia com minha filha... Enfim, consegui, finalmente, responder a pergunta da minha analista.
A Ana Clara ia crescendo na minha barriga, me fazento me sentir plena durante toda a minha gestação. E foi visível como consegui, sem querer, contagiar, em muitos momentos, várias pessoas que me cercavam.